A bandeira preta do Estado Islâmico transformou-se num símbolo reconhecido da jihad em todo o mundo, seja pela presença em crimes hediondos divulgados, seja para assinalarem a conquista de um território.
 
E tornou-se de tal forma reconhecida que “na cabeça do público, qualquer militante muçulmano que agite uma ‘bandeira preta’ é um militante do Estado Islâmico”, afirmou o autor de “The ISIS Apocalypse”, na tradução literal, o Apocalipse do Estado Islâmico, William McCants, em declarações à agência France Presse.
 
“Tal como outros grupos jihadistas, o Estado Islâmico desenhou a sua bandeira com base em testemunhos escritos sobre a bandeira do profeta Maomé”, disse à AFP.
 
A bandeira foi vista pela primeira vez online em janeiro de 2007, quando o antecessor do Estado Islâmico no Iraque, então aliado da Al-Qaeda, procurava seguidores "sob uma única bandeira que os unisse”.
 
McCants explicou que o grupo terrorista, que anunciou a formação de um califado em 2014, depois de tomar grandes áreas da Síria e do Iraque, “quer apresentar-se como um estado e que os estados têm bandeiras”.
 
Analisando a bandeira, o texto branco sobre o fundo negro no cimo é o começo da “shahada”, a profissão de fé muçulmana, ou seja, “não há deus mas Deus”.



No centro da bandeira está o selo do profeta em branco contendo três palavras a negro - “Allah, Rasul [profeta], Mohammed”, que é suposto ser lido como a última parte da shahada: Maomé é o mensageiro de Deus.
 
Alguns alegam que o selo de Maomé já tinha sido usado em cartas antigas aos reis da Etiópia, Pérsia, Bizâncio, Bahrein e Egipto para que abraçassem o Islão, mas a sua autenticidade é contestada.

“O Estado Islâmico apropriou-se de um símbolo que pertence a todo o Islão”, acrescentou Asiem El Difraoui, autor do livro "The Jihad of Images" (A Jihad das imagens, na tradução literal).

“Eles criaram um logótipo com um poder imenso e banalizaram-no por completo”, observou, ainda, dando como exemplo a bandeira da Arábia Saudita, onde também constam as figuras da "shahada" mas nunca sobre um fundo negro ou sem caligrafia elaborada.

Alguns especialistas defendem que a caligrafia elementar na bandeira do Estado Islâmico é apenas um esforço para que pareça antiga.
 
Não há referência, segundo os analistas, ao fundo negro no Corão, mas apenas nos dizeres e profecias atribuídos a Maomé conhecidos como “hadiths”. Vários “hadiths” que falam sobre o fim do mundo e o regresso do salvador “Mahdi”, dizem que este profeta guiará a vitória de um exército sobre os inimigos do Islão voando sobre uma bandeira preta.