O Conselho de Segurança das Nações Unidas rejeitou hoje os projetos de resolução da Rússia e dos EUA  para criar um novo mecanismo de investigação sobre o uso de armas químicas na Síria.

O projeto russo recebeu seis votos a favor, sete votos contra, entre os quais dos Estados Unidos, França e Reino Unido, e duas abstenções, falhando assim a obtenção dos nove votos que eram necessários para que fosse aprovado.

O projeto de resolução da Rússia foi rejeitado depois de Moscovo vetado, na mesma sessão do Conselho de Segurança da ONU, uma proposta dos Estados Unidos para criar um mecanismo de investigação internacional sobre o recurso a armas químicas na Síria, após o alegado ataque em Douma.

O projeto norte-americano, que propunha a criação, por um ano, de um novo “mecanismo independente de investigação das Nações Unidas” sobre o uso de armas químicas na Síria, recebeu 12 votos a favor, dois votos contra (Rússia e Bolívia) e uma abstenção (China).

Na segunda-feira, a Rússia considerou que o projeto norte-americano contém “elementos inaceitáveis” e antes da votação já fonte diplomática dizia à agência France-Presse que “um veto russo era garantido”.

Este é 12.º veto russo a uma resolução da ONU sobre a Síria desde o início do conflito armado, em 2011.

Segundo uma fonte diplomática, “não houve aproximação” de posições na reunião de peritos dos 15 países membros do Conselho de Segurança que se realizou na segunda-feira para tentar encontrar um consenso.

O projeto norte-americano prevê a criação de um novo “mecanismo de investigação independente das Nações Unidas” (UNIMI) sobre o uso de armas químicas na Síria, com um mandato inicial de um ano, renovável.

A ONU deixou de ter um organismo de investigação para os ataques químicos na Síria depois de, em finais de 2017, uma série de vetos da Rússia ter impedido a renovação do mandato do JIM (Joint Investigation Mechanism, mecanismo de investigação conjunta), um grupo que juntava peritos da ONU e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

O projeto de resolução dos Estados Unidos inclui também uma condenação do regime sírio na sequência do presumível ataque químico perpetrado no sábado contra a cidade rebelde de Douma, em Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, que fez mais de 40 mortos.

A oposição síria e vários países acusam o regime de Bashar al-Assad da autoria do ataque, mas Damasco nega e o seu principal aliado, a Rússia, afirmou que peritos russos que se deslocaram ao local não encontraram “nenhum vestígio” de substâncias químicas.