O Parlamento da Catalunha votou e aprovou, nesta segunda-feira, o início oficial do processo de soberania da região.

O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, anunciou, entrentanto, que o executivo vai interpor "um recurso de inconstitucionalidade" para travar esta resolução.

"No mesmo momento em que se aprovou a declaração [no parlamento catalão], o Governo tomou uma decisão contundente e vai interpor um recurso de inconstitucionalidade", disse Rajoy, numa curta declaração à imprensa em Béjar (Salamanca).

A votação acontece antes do debate de investidura de Artur Más como presidente.
   
O parlamento catalão votou a resolução da principal plataforma pela independência, a Junts pel Sí, do presidente Artur Más (Juntos pelo "sim"), lista que ganhou as eleições autonómicas de 27 de setembro, e da CUP, candidatura de unidade popular, da esquerda-radical.

Nas últimas eleições, os dois partidos conseguiram conquistar 72 dos 135 lugares do parlamento de Barcelona e juntos têm maioria. E foi com 72 votos favoráveis que, hoje, aprovaram a resolução (62 da Junts e 10 da CUP). 63 deputados votaram contra (Ciudadanos, PP, PSC e Catalunya Si que es Pot, apoiada pelo Podemos).

No momento final da votação, alguns deputados do PP desfraldaram bandeiras de Espanha e a bandeira oficial da Catalunha, a Senyera.

O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, disse também que "após a reunião extraordinária do Conselho de Ministros de quarta-feira" assinará "o decreto de inconstitucionalidade, a pedir a suspensão imediata desta iniciativa e de todos os seus possíveis efeitos".

A votação desta segunda-feira acontece um ano depois da consulta popular realizada na Catalunha e depois de o Tribunal Constitucional ter proibido um referendo oficial. Com uma participação de 2,5 milhões de catalães, 80% dos eleitores votaram por uma Catalunha independente de Espanha.

No final de outubro, logo após os partidos anunciarem as suas intenções de darem início ao processo de tornar a Catalunha numa República, o chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, contestou a decisão. Numa declaração feita no Palácio da Moncloa, em Madrid, afirmou que o governo vai recorrer a todos os mecanismos jurídicos e políticos para salvaguardar o respeito pela lei e o cumprimento da Constituição espanhola. 

Raül Romeva, cabeça de lista do,  Junts pel Sí, garantiu hoje no Parlamento que:
 

"Se não for hoje, será amanhã. chegou a hora de avançar de uma vez por todas"


Num tom solene, esta afirmação do deputado é já uma garantia que o desejo de independência não será parado pela "artilharia legal" que vai ser usada pelo atual Governo do país, que prometeu um recurso para Tribunal Constitucional. 

Segundo escreve o El País, a resolução prevê iniciar num prazo de 30 dias “a tramitação das leis constituintes, da segurança social e das finanças públicas”. Ou seja, de tornar possível “o processo de desconexão democrática” de Espanha.