As primeiras projeções pareciam ser claras: Theresa May ganhava as Eleições Gerais no Reino Unido, mas sem a desejada maioria absoluta que lhe iria reforçar o poder nas negociações do Brexit. Ao longo da noite, os resultados começaram por dar a vitória a May, depois deram, em número de deputados, a vitória aos Trabalhistas de Jeremy Corbyn, mas os Conservadores suplantaram os 310 lugares em parlamento.

Às 8:20, estavam contabilizados 646 círculos eleitorais, dos 650 que é necessário apurar. Os resultados distribuíam-se assim:

  • Conservadores - 315
  • Trabalhistas – 261
  • Partido Nacionalista Escocês – 35
  • Liberais Democratas - 12
  • Unionistas – 10

A luta era, portanto renhida, entre conservadores e trabalhistas. Jeremy Corbyn e Theresa May já tinham conseguido ser eleitos deputados pelos respetivos círculos eleitorais.

No discurso de aceitação de mandato, Corbyn não perdeu oportunidade de atacar May e pediu mesmo que resignasse.

A primeira-ministra convocou as eleições porque queria um mandato. (...) Bom, o mandato que ela ganha é de perder deputados, de perder votos, de perder apoio, de perder confiança. Eu acho que isso seria suficiente para ela sair e dar espaço para um governo que é verdadeiramente representativo de todo o povo deste país.”

Já Theresa May era cautelosa e pedia que mais resultados fossem sendo apurados: "Este país precisa de um período de estabilidade. Se o Partido Conservador ganhou o maior número de lugares, será nosso dever proporcionar esse período de estabilidade."

Jeremy Corbyn não é o único a pedir a cabeça de Theresa May e já há mesmo apostas para quem lhe irá suceder. As casas das apostas britânicas apontam Boris Johnson como o grande favorito.

Parlamento “pendurado”

Os resultados apurados até agora permitem, para já, adivinhar que nenhum dos partidos com representação na Câmara dos Comuns, a câmara baixa do parlamento britânico, conseguiu uma maioria absoluta que lhe permita aprovar um programa de governo. Sendo composto por 650 deputados, seria necessário que um partido obtivesse 326 mandatos (metade mais um) para governar com alguma tranquilidade.

Mas nem as projeções, nem os resultados até agora parecem apontar para essa maioria. Por isso, resta ao vencedor procurar uma coligação, um acordo global ou acordos pontuais.

A falta de vontade manifestada pelos Liberais Democratas em apoiar uma coligação torna ainda o futuro do Reino Unido mais incerto.

O que aconteceu ao UKIP?

Se Theresa May foi a grande derrotada da noite, por não ter, à partida, conseguido maioria absoluta, o UK Independent Party não se ficou atrás. Não terá eleito nenhum deputado e nem o líder Paul Nuttal conseguiu sentar-se em Westminster.

Perante os resultados, o antigo líder do UKIP, Nigel Farage, admitiu, em entrevista à BBC que pode voltar à política ativa, depois de se ter afastado da liderança do partido pouco depois do referendo do Brexit.

Farage justificou o resultado do partido com razões internas, mas sem culpar o atual líder.

Libra sofre forte derrapagem

Logo após a divulgação destas projeções, a Libra sofreu uma forte queda face ao dólar.

Apesar de as sondagens não apontarem para isso, os corretores pareciam esperar uma maioria absoluta, ainda que apertada, de Theresa May na Casa dos Comuns.

Logo após a divulgação das projeções, a libra caiu para 1,2792 dólares.

Pound now down 1.7% as #GE2017 results come in https://t.co/PEQABy2P62 pic.twitter.com/sZh4VaNlUO

— Bloomberg (@business) 9 de junho de 2017