A Coreia do Norte lançou hoje um foguete ('rocket') de longo alcance que a comunidade internacional considera ser, na realidade, um teste de mísseis balísticos encoberto, anunciou o Ministério da Defesa sul-coreano.

O lançamento ocorreu por volta das 09:00 locais (00:00 em Lisboa) e foi feito a partir da base de Sohae, também conhecida como Dongchang-ri, no extremo noroeste do país, segundo a mesma fonte.

Segundo a televisão estatal, a Coreia do Norte assegura que o lançamento que fez de um foguete de longo alcance foi bem sucedido e que colocou em órbitra um satélite espacial de observação terrestre.

O anúncio do regime de Pyongyang foi feito através da televisão estatal norte-coreana e, segundo a mensagem que foi lida por uma apresentadora, o "satélite de observação da terra Kwangmyong 4" está em órbitra.

Fontes dos Governos da Coreia do Sul e dos Estados Unidos da América confirmaram o êxito desta operação da Coreia do Norte, que é considerada pela comunidade internacional como um teste encoberto de mísseis balísticos.

Pyongyang realizou um teste nuclear a 6 de janeiro e anunciou na semana passada o lançamento, este mês, de um foguetão transportando um satélite, que a maioria da comunidade internacional vê como uma dissimulação para um teste de mísseis balísticos que viola resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

 

Japão considera "absolutamente intolerável" lançamento de 'rocket'

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, considerou hoje "absolutamente intolerável" o lançamento de um foguete ('rocket') de longo alcance pela Coreia do norte, que a comunidade internacional considera ser um teste de mísseis balísticos encoberto.

Abe sublinhou que o lançamento deste 'rocket' é uma "violação clara" das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Também a China lamentou o lançamento do 'rocket', afirmando que a Coreia do Sul "tem o direito de usar pacificamente o espaço", mas esse direito "está limitado" por resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

"Em relação à insistência da RPDC [Coreia do Norte] de levar a cabo um lançamento de tecnologia míssil, com a oposição da comunidade internacional, a China manifesta pesar", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, citado numa nota.

O porta-voz apelou ainda ao "diálogo" e pediu "a todas as partes relevantes" para lidarem "com calma" com a situação.

Já os EUA condenaram o lançamento do foguete de longo alcance pela Coreia do Norte e garantiram que tomarão "todas as medidas necessárias" para defender a sua segurança e a dos seus aliados perante as "provocações" de Pyongyang.

"O programa de mísseis e armas nucleares da Coreia do Norte representa uma séria ameaça aos nossos interesses - incluindo a segurança de alguns dos nossos aliados mais próximos - e mina a paz e a segurança na região", lê-se num comunicado da principal assessora para assuntos de segurança nacional do Presidente norte-americano, Susan Rice.

No mesmo texto, Susan Rice insta a comunidade internacional a manter-se unida para mostrar à Coreia do Norte que as suas ações "devem ter graves consequências".

Por sua vez, a presidente sul-coreana, Park Geun-Hye, pediu hoje uma resposta dura das Nações Unidas ao lançamento de um foguete ('rocket') de longo alcance pela Coreia do Norte.

"O Conselho de Segurança das Nações Unidas devia tomar rapidamente medidas punitivas fortes", disse Park Geun-Hye numa declaração transmitida pela televisão.

A Coreia do Sul e os Estados Unidos decidiram abrir conversações formais com vista à instalação de um sistema antimísseis norte-americano na península coreana, a que a China se opõe.

"Foi decidido abrir formalmente conversações sobre a possibilidade de instalar o sistema THAAD [Terminal High Altitude Area Defense] no âmbito dos esforços para reforçar a aliança de defesa antimíssil Coreia do Sul/Estados Unidos", afirmou Ryu Je-Seung, alto responsável do Ministério sul-coreano da Defesa.

 

Conselho de Segurança da ONU reúne-se de urgência

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se de urgência, este domingo, em Nova Iorque por causa do lançamento de um 'rocket' de longo alcance pela Coreia do Norte, noticia a agência AFP, citando fontes diplomáticas.

A reunião foi pedida pelos Estados Unidos e pelo Japão, membros do Conselho de Segurança, e pela Coreia do Sul.

Numa carta conjunta enviada à Presidência do Conselho de Segurança, citada pela AFP, EUA e Japão sublinham que "o lançamento hoje de um alegado 'satélite' pela Coreia do Norte viola resoluções da ONU" que proíbem Pyongyang de qualquer atividade balística ou nuclear.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu à Coreia do Norte para "parar com as ações provocatórias", após o lançamento do foguete de longo alcance.

"É profundamente lamentável que a República Popular Democrática da Coreia tenha realizado um lançamento usando tecnologia de mísseis balísticos, violando resoluções do Conselho de Segurança [da ONU] de 06 de fevereiro de 2016", considerou Ban Ki-moon, num comunicado.

O secretário-geral das Nações Unidas apela à Coreia do Norte para "parar com as ações provocatórias" e respeitar as suas "obrigações internacionais".