A oposição venezuelana condenou este domingo a destituição, no sábado, da procuradora-geral, Luísa Ortega Díaz, pela nova Assembleia Constituinte e anunciou que vai continuar com os protestos de rua.

Com esta decisão, o regime enterrou a última legitimidade que tinha. O povo não reconhece este regime e a comunidade internacional tampouco", disse o vice-presidente do parlamento.

Durante uma conferência de imprensa em Caracas, Freddy Guevara, criticou ainda que o "defensor do povo", Tarek William Saab, tenha sido designado, no sábado, na primeira sessão da Assembleia Constituinte, como substituto de Luísa Ortega Díaz.

As ações da ilegítima Assembleia Constituinte são um atropelo à Constituição", frisou.

Por outro lado vincou que a oposição continuará com os protestos de rua e que está a preparar novas manifestações para a próxima semana.

Quem se cansa perde, não é um slogan, é um mandato. Agora estamos num processo de revisão e debate. Não estamos de férias, mas num intenso debate, trabalhando para oferecer e definir uma rota clara para o país", disse, vincando que a oposição continuará na luta para derrotar "a ditadura".

Entretanto o líder do partido Primeiro Justiça e presidente do parlamento, Júlio Borges, disse que a destituição da procuradora faz parte de uma tentativa da Assembleia Constituinte "de escravizar os venezuelanos para fazê-los subordinados ao regime".

"É um momento difícil e escuro mas a força e a dignidade vão-se sobrepor perante todos os obstáculos. Tenhamos confiança, fé e determinação para continuar lutando. Eles [AC] estão cavando o seu próprio túmulo, estão a suicidar-se. Não nos desmoralizemos, eles estão a destruir-se", disse.

De acordo com Júlio Borges, há apenas uma "minoria" das Forças Armadas que "está divorciada da lei, da Constituição e espaldeiro do regime de Nicolás Maduro" que conta apenas com a "força bruta" das armas militares e os "coletivos" [motociclistas armados afetos ao regime], mas não conta com "o povo, nem com liderança, nem com apoio internacional"

Principal opositor de Maduro regressa a prisão domiciliária

Um dos líderes da oposição regressou no sábado à noite a casa, onde vai continuar em prisão domiciliária. Leopoldo López voltou para casa inesperadamente, depois de ter permanecido quatro dias na prisão militar de Ramo Verde, anunciou a mulher.

Acabam de trazer o Lepoldo para casa", escreveu Lilian Tintori na conta da rede social Twitter.

Na mensagem, publicada pelas 22:45 (03:45 em Lisboa), a mulher de Leopoldo López sublinhou que o casal continua "com mais convicção e mais firmeza para conseguir a paz e a liberdade da Venezuela".

O líder do partido Vontade Popular (centro-esquerda) foi tirado à força de casa pelos serviços secretos venezuelanos, no dia 1 de agosto, e levado para a prisão militar de Ramo Verde, a sul de Caracas.

Lopez tinha saído do estabelecimento de Ramo Verde três semanas antes, para cumprir a sua pena em regime de prisão domiciliária.

Horas depois de ser tirado à força de casa, o Supremo Tribunal de Justiça venezuelano justificou a medida por existir risco de fuga.

Leopoldo López foi transferido a 8 de julho último, da prisão militar de Ramo Verde para casa, depois de ter passado mais de três anos e quatro meses detido a cumprir uma sentença de quase 14 anos.

O líder da oposição foi condenado por ter convocado, em 2014, uma manifestação que degenerou em violência, causando três mortos.