A Hungria já começou a construir uma vedação com cerca de 175 quilómetros e quatro metros de altura junto à fronteira com a Sérvia. A estrutura de arame farpado pretende travar o fluxo de migrantes no país, que se tem intensificado nos últimos meses.

Por dia, estima-se que sejam cerca de 1500 os migrantes que tentam chegar à Hungria, sobretudo provenientes do Afeganistão e da Síria. Atravessam as florestas que se estendem desde o território sérvio e, chegados a solo húngaro, tentam entrar noutros países como a Áustria, a Alemanha ou o Reino Unido. Contudo, muitos acabam detidos e enviados para centros de refugiados.  

A crise de migrantes que tentam atravessar a Europa está a causar situações verdadeiramente dramáticas em vários países. À Hungria chegaram, desde o início do ano, mais de 100 mil migrantes. Um número sem precedentes no país que tem fomentado o racismo e os conflitos entre entre os cidadãos.
 
No mês passado, por exemplo, um movimento de direita organizou um protesto na estação de comboios da capital, Budapeste, contra o que designaram como “bando de africanos”. Os manifestantes ameaçaram mesmo tratar do assunto "com as próprias mãos" caso o governo húngaro não tomasse medidas de resposta ao problema.
 
O governo decidiu agir e uma das medidas anunciadas foi a construção de uma vedação na fronteira com a Sérvia. A estrutura de arame farpado, que se vai estender ao longo de 175 quilómetros por quatro metros de altura, começou a erguer-se esta semana.





Por outro lado, a legislação para acolher refugiados tornou-se mais apertada e a Hungria começou a recusar ter imigrantes de outros países da União Europeia, o que vai contra as regras dos estados-membros.

O primeiro-ministro Viktor Orban justificou a sua posição, defendendo que a imigração tem promovido o aumento da criminalidade e do desemprego. Mais, acrescentou que a Hungria vai agir por conta própria porque a União Europeia não oferece nenhuma solução eficaz.
 
Mas se muitos húngaros receiam e querem a expulsão dos migrantes, outros têm sido fundamentais na assistência e no auxílio destes refugiados.
 
Um grupo de voluntários chamado Migzol é um exemplo disso mesmo. Têm uma espécie de base junto à estação de comboios de Szeded, um local de paragem para muitos migrantes que tentam chegar a Budapeste, onde oferecem água e comida, entre outros bens essenciais.
 
Esta quarta-feira, o dia voltou a ser trágico no Mediterrâneo. Um barco que transportava centenas de migrantes naufragou ao largo da costa da Líbia, provocando vários mortos.