O juiz federal Sérgio Moro determinou esta quinta-feira a prisão do ex-presidente do Brasil Lula da Silva.

De acordo com a ordem do juiz, Lula da Silva tem até às 17:00 desta sexta-feira (21:00 em Lisboa) para se apresentar voluntariamente à Polícia Federal, em Curitiba.

No despacho, Moro afirma que está “vedada a utilização de algemas em qualquer hipótese”. O magistrado ordenou que os detalhes da apresentação voluntária deverão ser combinados entre a defesa de Lula e o delegado Maurício Valeixo, superintendente da Polícia Federal no Paraná.

Relativamente ao condenado e ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concedo-lhe, em atenção à dignidade do cargo que ocupou, a oportunidade de se apresentar voluntariamente na Polícia Federal em Curitiba até as 17:00 do dia 06/04/2018, quando deverá ser cumprido o mandado de prisão", escreveu o juiz no mandado de detenção.

O juiz revela ainda que foi preparada uma sala reservada para o início do cumprimento da pena do ex-presidente, dada a “dignidade do cargo ocupado”.   O texto sublinha que o ex-presidente ficará, assim, separado dos restantes presos, “sem qualquer risco para a integridade moral ou físcia”.

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O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil negou na quarta-feira à noite um recurso contra a prisão do ex-governante, que pretendia ficar em liberdade até à decisão final. O recurso foi negado por 6 votos a 5, depois de 11 horas de votação dos magistrados.

A prisão do ex-metalúrgico que governou o Brasil está relacionada com um dos processos da Operação Lava Jato, o maior escândalo de corrupção do Brasil. Lula foi condenado por ter recebido um apartamento de luxo como suborno da construtora OAS em troca de favorecer contratos com a petrolífera estatal Petrobras.

Ordem de prisão "foi arbitrária"

O advogado de Lula da Silva, Cristiano Zanin, disse que o mandado de prisão emitido esta quinta-feira à noite contra o cliente foi uma "decisão arbitrária".

O causídico questionou a ordem de prisão, frisando que o próprio Tribunal Federal da 4ª Região (TRF4) havia determinado, ao condenar o ex-presidente em 24 de janeiro passado, que a sua prisão só seria decretada depois de todos os recursos naquela órgão de segunda instância tivessem terminado.

Estão a contrariar a própria decisão do tribunal do dia 24, quando os três juízes desembargadores determinaram que a prisão só poderia acontecer depois de exaurida toda a tramitação em segunda instância. Estamos dentro do prazo. Ainda temos os embargos dos embargos e a possibilidade de recursos extraordinário ao Superior Tribunal de Justiça e extraordinário ao Supremo Tribunal Federal", declarou Cristiano Zanin à Folha de S.Paulo.

Após o juiz Sérgio Moro decretar a prisão de Lula da Silva, os apoiantes o ex-chefe de Estado organizaram uma sessão no Sindicato dos Metalúrgicos, na cidade de São Bernardo do Campo, na qual está previsto que o ex-chefe de Estado discursar, antes de se entregar à polícia.

Ordem de prisão a Lula “reedita tempos da ditadura”

A presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, disse hoje que o mandado de prisão emitido para o ex-presidente brasileiro Lula da Silva "reedita os tempos da ditadura" no Brasil.

"É uma violência sem precedentes na nossa história democrática", disse Gleisi Hoffmann, numa mensagem transmitida nas redes sociais, naquela que foi a primeira reação da liderança do PT à decisão da Justiça, que deu até às 17:00 (horário de Brasília, 21:00 de Lisboa) de hoje para o ex-Presidente brasileiro se apresentar voluntariamente à Polícia Federal na cidade de Curitiba.

Gleisi Hoffmann descreveu Sérgio Moro como "um juiz cheio de ódio e ressentimento, sem provas e um julgamento sem crime", e disse que é uma "prisão política, que reedita os tempos da ditadura".

A presidente do PT convocou também os militantes do partido a participar num ato convocado para a sede do Sindicato dos Metalúrgicos, na cidade de São Bernardo do Campo, onde reside Lula da Silva, numa iniciativa em que é esperada a presença do ex-presidente.