O presidente angolano, João Lourenço garantiu em Estrasburgo que a visita oficial do primeiro-ministro português, António Costa, a Angola acontecerá ainda este ano, e não está dependente do processo Manuel Vicente.

Em declarações aos jornalistas, após ter discursado no Parlamento Europeu (PE) em Estrasburgo, o presidente de Angola assegurou que as relações com Portugal “estão boas” e que visitará o país “logo que estiverem criadas as condições”.

Sabe que as visitas a este nível, a nível de chefes de Estado, têm de ser preparadas com uma certa antecedência. Nós acordámos com as autoridades portuguesas que, antes da minha deslocação a Portugal, devo receber o primeiro-ministro português em Angola. Este processo está em curso, posso garantir que, de acordo com a agenda do próprio primeiro-ministro, António Costa, ainda este ano a visita vai acontecer”, avançou.

Questionado sobre se a visita oficial de António Costa a Angola estaria condicionada pelo processo do ex-vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente, o chefe de Estado angolano afiançou que não.

Absolutamente não. Só depende do acerto de calendários. Não tem nada a ver com o processo Manuel Vicente”, reforçou.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros português, a visita do primeiro-ministro a Angola terá uma dimensão económica, política, de cooperação bilateral e de contacto com a comunidade portuguesa "muito importante", estando em curso o acerto de datas.

Para o chefe da diplomacia portuguesa, esta posição de João Lourenço é "a constatação de um facto elementar", depois de o processo que corria em Portugal envolvendo Manuel Vicente ter sido transferido para a justiça angolana.

João Lourenço tornou-se o primeiro chefe de Estado angolano a discursar no Parlamento Europeu.

Entre o final de maio e início de junho, João Lourenço efetuou visitas oficiais a França e Bélgica, tendo sido já recebido em Bruxelas pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Cooperação entre Europa e África para solucionar crise das migrações

João Lourenço defendeu que Europa e África têm de procurar soluções duradouras para a crise das migrações, que garantam ao mesmo tempo o desenvolvimento do continente africano.

As soluções não são imediatas e nem serão encontradas apenas com um país, isoladamente. Eu aqui não falo de Angola em particular, mas do continente no geral, uma vez que os imigrantes não vêm de um só país, vêm de vários países do continente. Portanto, são os dois continentes, África e Europa, que devem encontrar as tais soluções que sejam duradouras”, sustentou.

Em declarações aos jornalistas, o chefe de Estado de Angola defendeu que não devem ser procuradas soluções de “duração efémera”.

Temos de pensar seriamente em soluções que sejam duradouras e que garantam o desenvolvimento do continente, a criação de emprego, de riqueza, enfim de maior estabilidade e isso só se consegue num quadro multilateral e tendo a consciência que é uma solução que não se vai encontrar ao fim de dois, três anos, leva mais tempo”, reforçou.

João Lourenço disse ainda que todos os africanos se sentem envergonhados com “o que se está a passar neste momento”.

Nenhum governante quer ver os seus filhos abandonar o país, sobretudo naquelas condições desumanas em que o processo está a decorrer. Imigrações sempre houve no Mundo, mas nestas condições, com perdas de vidas humanas durante a travessia, é evidente que ninguém quer que os filhos da sua pátria e do seu continente passem por uma privação tão grande quanto esta”, reconheceu.