A guerra na Síria já provocou mais de 260 mil mortes, o desenraizamento de mais de metade da população e arruinou o país, desde que a guerra começou, há cerca de cinco anos.

Os desenvolvimentos de um conflito, que começou com protestos pacíficos em março de 2011, mas depressa evoluiu para uma guerra civil, que atraiu militantes e potências estrangeiras, depois de uma brutal repressão dos opositores, estão quantificados.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos(OSDH), que assenta numa larga rede de fontes no país, assegurou que 260.758 pessoas foram mortas entre março de 2011 e 31 de dezembro de 2015, na sua maioria combatentes, com as baixas civis a excederem a 76 mil.

Estes totais excluem os milhares que desapareceram, designadamente nas infames prisões sírias, e as centenas de lealistas que desapareceram às mãos dos grupos rebeldes radicais, incluindo o que se autodesigna por Estado Islâmico.

Um levantamento do Observatório, divulgado em março de 2015, estimou em cerca de 13 mil o número de pessoas mortas por tortura nas prisões do regime desde o princípio do conflito e em mais de 200 mil as que já estiveram detidas.

Uma organização humanitária síria denunciou em janeiro deste ano o bombardeamento incessante de instalações médicas na Síria, onde 177 hospitais foram destruídos e quase 700 trabalhadores da área da saúde assassinados desde 2011.

Por outro lado, dos 23 milhões de habitantes que o país tinha antes do conflito, 13,5 milhões foram forçados a sair de casa, segundo um apuramento da Organização da Nações Unidas (ONU), divulgado em 12 de janeiro de 2016.

Deste total, cerca de 486.700 vivem em áreas cercadas pelo exército do regime ou pelos rebeldes, ainda segundo a ONU, e 4,7 milhões procuraram refúgio nos países vizinhos.

“Esta é a maior população de refugiados de um único conflito numa geração”, afirmou em julho de 2015 o então alto-comissário da ONU para os Refugiados (ACNUR), o português António Guterres.

A Turquia tornou-se o país com o maior número de refugiados sírios, ao acolher entre dois milhões e 2,5 milhões no seu solo. Deste total, vivem 250 mil em campos e os outros em zonas urbanas.

No Líbano, estão cerca de 1,2 milhões de refugiados, dos quais mais de dois terços vivem em situação de “pobreza extrema”, ainda segundo a ONU.

Na Jordânia estão 630 mil, segundo o ACNUR, mas as autoridades colocam o número acima do milhão. Outros 225 mil sírios estão no Iraque e 137 mil no Egito.

Os refugiados confrontam-se com pobreza, doenças e tensões crescentes com as comunidades locais, onde vivem em campos transitórios e sob condições extremamente difíceis.

Apesar de a grande maioria permanecer na região, um número crescente decidiu arriscar a viagem para a Europa, nas mãos de traficantes.

Na frente económica, os analistas estimam que o conflito fez recuar a Síria em três décadas, quase sem receitas e com a maior parte da infraestrutura destruída.

A massiva desindustrialização existente resultou do encerramento de empresas, de pessoas falidas e dos roubos e da destruição.

As exportações caíram mais de 90% e o Ministério do Petróleo quantifica as perdas no setor energético em 53 mil milhões de euros.

Em março de 2015, uma coligação de 130 organizações não-governamentais garantiu que a Síria vive quase sem luz elétrica.