O presidente dos Estados Unidos anunciou um «acordo histórico» com o Irão sobre o programa nuclear deste país.

«Hoje, chegamos a um acordo histórico com o Irão que vai impedi-los de obter armas nucleares».


O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros deu a notícia numa mensagem na rede social Twitter, adiantando que foram encontradas soluções «em parâmetros chave» nas negociações sobre o programa nuclear iraniano que decorrem em Lausanne, na Suíça.
 

«Soluções encontradas. Pronto para começar a elaborar imediatamente», afirmou Javad Zarif.


A informação foi confirmada, também no Twitter, pela chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, que se referiu a «boas notícias».  Já o chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, confirmou um acordo global em «pontos-chave» das conversações.
 
De acordo com fontes diplomáticas ouvidas pela agência Reuters, a capacidade de enriquecimento de urânio do Irão será suspensa em dois terços e será monitorizada durante 10 anos. Teerão poderá manter 6.000 das atuais 19.000 centrifugadoras de urânio, mas não poderá construir novas durante 15 anos.

As potências internacionais e o Irão concordaram que a maior parte dos stocks de urânio enriquecido serão diluídos ou levados de barco para fora do país.

Os Estados Unidos comprometem-se a levantar algumas das sanções ao Irão, mas apenas se Teerão cumprir a sua parte.

Porém o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão já fez saber que o acordo alcançado esta quinta-feira, não vai normalizar as relações entre Teerão e os EUA.
 

«As relações entre Irão e os EUA não têm nada a ver com isto, que foi uma tentativa de resolver o problema do nuclear. Temos sérias diferenças com os Estados Unidos, disse Mohammad Javad Zarif, segundo a Reuters.

 «Construímos desconfiança mútua no passado, por isso espero que com esta implementação corajosa, parte da confiança possa ser restabelecida. Mas teremos de esperar para ver», acrescentou.


O grupo 5+1, composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, China, França) e a Alemanha, acordaram assim com o Irão que a capacidade nuclear deste país será limitada. O texto final para o plano de ação será negociado até o dia 30 de junho.

Os países estavam reunidos há mais de oito dias em Lausanne, na Suíça. A comunidade internacional quer refrear o programa nuclear iraniano e e proceder a uma supervisão para garantir que Teerão não fabricará armas nucleares e a bomba atómica em troca de um levantamento das sanções internacionais.

Depois de dois dias de prolongamento das negociações, já ninguém falava em prazos. Esta quinta-feira de manhã, quando as delegações voltaram ao trabalho, após uma ou duas horas de sono, repetiram que as conversas estavam a ser produtivas e tinham resultado em progressos tangíveis, pelo que o processo deveria estender-se até um compromisso ser finalmente anunciado.


               

O presidente dos EUA, Barack Obama, reagiu positivamente ao acordo alcançado, o qual considera ser o «travão» que vai impedir que o Irão obtenha armas nucleares.
 

«Hoje, os Estados Unidos, juntamente com os nossos aliados e parceiros, conseguiram um entendimento histórico com o Irão que, se totalmente implementado, vai prevenir [o Irão] de obter armas nucleares. (…) [O acordo] vai tornar o nosso país, os nossos aliados e o mundo mais seguros. É um bom acordo».

 
Segundo a Reuters, também o secretário para os Negócios Estrangeiros britânico, Phillip Hammond, elogiou o «ótimo acordo» alcançado, mas ressalva que ainda há trabalho a fazer.
 

«[Este entendimento] vai além do que achávamos possível apenas há 18 meses e é a base para o que considero um ótimo acordo. Mas ainda há trabalho a fazer», disse.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha é mais cauteloso com as palavras e diz que ainda é cedo para celebrar.
 

«Ainda é cedo para festejar. De qualquer forma com este entendimento ultrapassámos obstáculos que impossibilitavam um acordo há mais de uma década», disse Frank-Walter Steinmeir em comunicado.

 

«Se um acordo final for alcançado, poderá, na minha opinião, não só abrir caminho para uma solução para o conflito com o Irão, mas será o primeiro conflito do Médio Oriente a abrandar. Pode, portanto, trazer esperança para melhores relações na região e entre o Irão e os Estados árabes», continuou.

 
Por sua vez a chanceler alemã, Angela Merkel, tal como Obama, considera que o entendimento representa um «passo importante» para prevenir que o Irão obtenha armas nucleares.
 

«Estamos mais perto que nunca de um acordo que torna impossível que o Irão obtenha armas nucleares», disse. 


Também o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia considerou o acordo positivo, e acredita que este vai forçar o Irão a ser mais ativo na resolução de conflitos no Médio Oriente. Já a França diz que o entendimento é um passo «positivo», mas ainda há questões a resolver.

«É um passo positivo, mas ao mesmo tempo ainda há questões e detalhes a resolver», disse Laurent Fabius.