A polícia francesa deteve, esta sexta-feira, um segundo suspeito do desaparecimento de Maëlys de Araújo, a menina lusodescendente de nove anos. A imprensa francesa refere que, à semelhança do indivíduo que foi detido na quinta-feira, também se trata de um homem de 34 anos.

Uma fonte próxima da investigação, citada pelo jornal Le Figaro, refere que o indivíduo foi colocado sob custódia policial "para verificar declarações que contêm contradições".

Tal como o primeiro suspeito, o segundo também estava presente na noite do casamento, acrescenta o canal de televisão BFMTV.

As autoridades decidiram entretanto prolongar a detenção do suspeito, que foi preso na quinta-feira devido a contradições no discurso e informações falsas que prestou às autoridades durante um primeiro interrogatório. 

O novo interrogatório do suspeito, que começou na manhã de quinta-feira na esquadra de Pont-de-Beauvoisin, no sudeste do país, pode durar até sábado, indica uma fonte próxima da investigação, citada pela Agência France-Presse.

O homem estava presente no casamento "no momento do desaparecimento do jovem Maëlys de Araújo", na noite de sábado para domingo naquela localidade de 3.500 habitantes do norte na região de Isére, disse quinta-feira a procuradora em Bourgoin-Jallieu, Dietlind Baudoin.

O novo interrogatório "tem por objetivo essencial clarificar o que o suspeito fez durante um período ou intervalo de tempo que corresponda ao desaparecimento de Maëlys", acrescentou a magistrada.

De acordo com uma fonte próxima do caso citada pela AFP, o homem conhecido por ter cometido crimes comuns, em particular relacionadas com drogas, chegou tarde à festa de casamento e é um conhecido do noivo e do pai da menina desaparecida.

O jornal francês Le Parisien noticiou, na quinta-feira, que o nome deste suspeito “aparece no registo criminal automatizado de delinquentes sexuais ou violentos.”

Maëlys de Araújo, lusodescendente de nove anos, desapareceu na madrugada de domingo durante uma festa de casamento em Pont-de-Beauvoisin, em Isère, no sudeste de França.

As buscas por Maëlys de Araújo foram reforçadas na quarta-feira com 150 operacionais no terreno, entre agentes da polícia e militares, com o objetivo de procurarem a "mais pequena pista" que possa ajudar a descobrir o paradeiro da criança.

Até à data foram ouvidas 140 das 180 pessoas que estavam na festa de casamento, mas no total a investigação quer ouvir 250 testemunhas, já que simultaneamente decorriam outras duas festas nas proximidades.

Uma das festas decorria no salão paroquial de Pont-de-Bonvoisin, a 350 metros da sala polivalente onde decorria o copo de água, e no qual estava a pequena luso-descendente, e a outra num bar da aldeia a 500 metros do casamento.

Entre as pistas consideradas, a possibilidade de a criança ter sido metida num automóvel e raptada é uma das que está em cima da mesa. Isto porque os cães-pisteiros detetaram o cheiro da menina num parque de estacionamento e depois perderam-no, "o que pode indiciar ter havido um rapto", de acordo com a procuradora de Isère.

Segundo fonte da secretaria de Estado das Comunidades, citada pela agência Lusa, o caso de Maëlys de Araújo, que possui apenas nacionalidade francesa, está a ser acompanhado pelo consulado de Portugal em Lyon, que já conversou com a família para oferecer o apoio necessário.