O Governo equatoriano confirmou este domingo que dois jornalistas e um motorista do jornal El Comercio, de Quito, foram sequestrados esta semana na fronteira com a Colômbia por ex-guerrelheiros das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

O ministro do Interior equatoriano, César Navas, adiantou que os três homens se “encontram bem”, sendo provável que estejam cativos na Colômbia.

O sequestro da equipa do jornal El Comercio desencadeou uma onda de protestos no Equador, onde centenas de jornalistas participam em vigílias diárias de protesto convocadas através das redes sociais.

A primeira vigília, realizada na Praça da Independência, em frente ao Palácio do Governo, no bairro colonial de Quito, reuniu jornalistas de todo o país, que levavam velas acesas, câmaras, microfones e gravadores.

As Forças Armadas do Equador enfrentam na fronteira diversas incursões violentas levadas a cabo por um grupo dirigido por um ex-guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) - agora dissolvidas e convertidas num partido político, a Força Alternativa Revolucionária Comum/FARC.

O número de dissidentes das Farc que não aderiram ao processo de paz no final de 2016 é estimado em 1.200 combatentes, só na Colômbia. Eles financiam-se através por tráfico de drogas e procuram aliar-se a outros grupos, segundo as autoridades

O grupo que raptou os jornalistas será também o responsável por ataques com explosivos contra tropas colombianas do outro lado da fronteira. Desde janeiro, esta área tem sido palco de uma série de ataques contra os militares equatorianos. Três soldados foram mortos e onze ficaram feridos em uma explosão caseira na semana passada.

O governo do Equador atribui os recentes ataques a uma represália dos dissidentes. "Desde o último trimestre, a nossa presença na fronteira norte foi reforçada e tivemos resultados muito positivos: apreensão de drogas, agentes químicos, armas, logística e, acima de tudo, a detenção de membros desses grupos armados dissidentes organizados", explicou o Ministro Navas.

Cerca de 12 mil tropas equatorianas estão estacionadas ao longo da fronteira de 720 quilómetros com a Colômbia.