As autoridades da Florida anunciaram, esta quarta-feira, a descoberta “sem precedentes” de um cemitério com sete mil anos, sob as águas do Golfo do México, o que vai permitir “entender melhor” os primeiros habitantes deste atual Estado dos EUA.

O secretário de Estado da Florida, Ken Detzner, afirmou, em comunicado, que o achado arqueológico, designado Manasota Key Offshore (MKO), está situado na plataforma continental, no que parece que foi, quando o mar não o cobria, um lago de água doce.

Desde as primeiras descobertas no MKO, em junho de 2016, peritos da Junta de Investigação Arqueológica do Estado iniciaram trabalhos que permitiram confirmar a existência de um local pré-histórico, debaixo de água, com uma superfície de cerca de três mil metros quadrados.

Este local funerário esteve situado numa zona próxima da atual cidade de Venice.

“O Departamento de Estado da Florida assume muito seriamente a responsabilidade de conservar, tratar respeitosamente e proteger este lugar único e especial”, afirmou Detzner.

Os arqueólogos, acrescentou, fizeram “um trabalho notável de documentação e investigação”, que pode ajudar a “conhecer e entender os povos primitivos”.

O secretário de Estado sublinhou que, “por respeito aos indivíduos ali enterrados e aos seus descendentes vivos”, proibiu-se que mergulhadores e outras pessoas se possam deslocar ao local, que está sob a proteção das leis estaduais e controlado por polícias.

A investigação feita até agora revelou que o nível do mar na zona do MKO era muito mais baixa do que é, o que permitiu que os antecessores dos povos indígenas da Florida lá deixassem os seus mortos.

À medida que o nível do mar subiu, aquela zona foi coberta pela água do Golfo do México, mas, apesar de tudo, o cemitério manteve-se intacto.

Os cemitérios pré-históricos submersos são extremamente raros.

Em nome do povo seminola, Paul Backhouse, responsável pela conservação histórica tribal, manifestou a sua satisfação por poder elaborar com outras instituições um plano que “permita aos ancestrais continuar a descansar em paz e sem interferências humanas nos próximos sete mil anos”.