O comité de emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou, nesta segunda-feira, que os casos de microcefalia surgidos no Brasil, e suspeitos de terem origem no vírus Zika, constituem uma emergência mundial de saúde pública.

“Os casos de microcefalia e outras desordens neurológicas por si mesmos, pela sua gravidade e pela carga que implicam para as famílias constituem por si só uma ameaça e por isso aceitei a recomendação do Comité”, anunciou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, em conferência de imprensa realizada em Genebra, Suíça, onde decorreu a reunião do comité de emergência.

Este alerta coloca o vírus Zika no mesmo nível de emergência do Ébola, declarado em agosto de 2014 para a epidemia em África.

Fica, assim, aberto o caminho para uma resposta global para o vírus Zika, particularmente ao nível da descoberta de uma vacina e da ajuda às vítimas para travar a sua propagação.

O Zika manifesta-se em sintomas semelhantes aos da gripe, como febres baixas, dores de cabeça, dores nas articulações e erupções cutâneas. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a doença está a propagar-se "de forma explosiva" pelo continente americano, com três a quatro milhões de casos esperados este ano, dos quais 1,5 milhões no Brasil, o país mais afetado. 

Este vírus é associado no Brasil a um aumento de casos de microcefalia, um distúrbio de desenvolvimento fetal que causa o perímetro do crânio infantil mais baixo do que o normal, o que provoca atrasos no desenvolvimento mental.