Por: Redacção / CMM | 24- 2- 2010 13: 29
Estava completamente submersa, desde 1984, quando uma central hidroeléctrica ali foi construída. No entanto, a forte seca
que afectou Potosí fez a vila reaparecer. O caso tornou-se emblemático da seca que afecta o país.
Mas, para além
do espanto, a ausência de precipitação está também a preocupar a população e os governantes, tendo já levado o governo do
presidente Hugo Chávez a decretar o estado de emergência eléctrica e a aplicar multas aos venezuelanos que não economizarem
água e energia.
A situação é preocupante. O nível da água na central hidroeléctrica baixou de tal maneira que trouxe
à tona parte da igreja da antiga vila, uma construção de 25 metros de altura e símbolo de Potosí.
Para além do templo,
os turistas podem ainda ver agora os restos do que um dia foram a câmara, a prisão, o cemitério, a praça central e o pilar
que sustentava o busto de um dos heróis da independência venezuelana, que parecem ter resistido aos anos e à inundação, reaparecendo
agora com a seca na região.
O reencontro
O ressurgimento da aldeia tem atraído centenas de turistas
e ex-moradores do local. Emocionados, os antigos habitantes recordam momentos.
Josefa Garcia Rojas foi uma das ex-moradoras
da vila que resolveu regressar a casa. Aos 84 anos, «criou coragem» e decidiu «reencontrar» Potosí.
26 anos depois,
a octogenária afirma: «Voltar dá-me alegria, mas dá tristeza ver a situação em que está este local», afirmou Josefa à BBC,
acrescentando que «isto aqui era muito bonito. Não sofríamos por comida, por nada.»
Emocionada, Josefa conta que
nasceu, casou e criou as duas filhas naquele local, onde vivia da costura, cuidava de um pequeno armazém e ajudava o padre
na igreja.
No entanto, em 1984, ela e cerca de mil pessoas foram obrigadas a deixar Potosí, centro agrícola da região
de Táchira, uma vez que o local foi transformado no complexo hidroeléctrico Uribante Caparo.
Uma situação alarmante
A
seca que a região atravessa é, no entanto, motivo de preocupação. A queda do nível do açude afectou a produção da central
hidroeléctrica do complexo Uribante Caparo, que viu a produção reduzida a apenas 7 por cento da capacidade de 300 MWh.
«Essa
situação levou a racionamentos de energia que afectam directamente a população», disse Barilla, presidente do complexo hidroeléctrico.
Em média, os habitantes de cinco Estados do oeste venezuelano sofrem cortes de electricidade até duas horas e meia por dia.
De
acordo com Barilla, a represa que abastece o sistema está a apenas 3,6 metros cúbicos do «nível crítico», no entanto, perante
a grande probabilidade da seca continuar, o venezuelano considera ser necessário «racionar mais para poder chegar até meados
de Maio, quando esperamos que comecem as chuvas», afirmou.
A queda na geração do complexo Uribante Caparo agrava
ainda mais a crise nacional por restar apenas de 300 MWh da energia do complexo hidrelétrico de Guri, de onde sai cerca de
70% da electricidade de todo o país, cujo açude perde diariamente 14 centímetros de água.
Uma situação sem precedentes
na região: «Nunca tínhamos enfrentado algo parecido. Estamos numa fase crítica», afirmou Juan Bautista Barilla, que
lembrou que nem mesmo nos períodos mais graves de seca, a igreja apareceu, como ocorre neste ano.
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