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Haiti: EUA expulsam jornalistas do aeroporto

Denúncia foi feita pelos enviados de vários órgãos de informação espanhóis

Por: Redacção / PP  |  21- 1- 2010  9: 3

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Distribuição de bens no Haiti (EPA/UN)

O exército dos Estados Unidos ordenou aos jornalistas estrangeiros, sem explicações «de qualquer tipo», que têm que abandonar nas próximas horas o aeroporto de Port-au-Prince, no Haiti, escreve a Lusa.

A denúncia foi feita pelos enviados de vários órgãos de informação espanhóis que acusam os militares de terem dado um prazo «de poucas horas» para que os jornalistas abandonem o local.

«Os soldados norte-americanos decidiram expulsar os jornalistas do aeroporto de Port-au-Prince onde estão dezenas de jornalistas, sem dar explicações de qualquer tipo», relatou o enviado da Rádio Televisão Espanhola, Fran Sevilla.

EUA enviam mais quatro mil soldados

Os Estados Unidos vão enviar mais quatro mil soldados suplementares para o Haiti, elevando para 15 mil os efectivos militares que participam nas operações de socorro, anunciou fonte do exército norte-americano.

As tropas referidas deviam inicialmente ser destacadas para a Europa e para o Médio Oriente, mas devem chegar ao Haiti antes de sexta-feira.

A decisão de as tranferir foi tomada pelo Chefe do Estado-Maior Conjunto, almirante Michael Mullen, devido às «necessidades urgentes incessantes» de prestar ajuda humanitária no Haiti, refere um comunicado da segunda frota norte-americana.

Haiti: depois da terra, o mar

Brasil multiplica presença

Entretanto, o ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, pediu ao Congresso autorização para multiplicar por dois os seus efectivos militares no Haiti, onde se encontram actualmente cerca de 1.300 soldados, indicou fonte oficial em Brasília.

Jobim propôs «duplicar o contingente de brasileiros, passando de 1.300 para 2.600 militares», segundo um comunicado do ministério da Defesa.

Voos de aviões russos dificultados

Um avião russo Iliuchin-76, com ajuda humanitária a bordo, não partiu da Venezuela rumo ao Haiti, porque o serviço de controlo de voos no aeroporto de Port-au-Prince, controlado por norte-americanos, não autorizou, disse um diplomata russo, citado pela Itar-Tass.

Segundo Vladimir Tokmakov, Encarregado de Negócios da Rússia em Caracas, os controladores de voo norte-americanos justificam os sucessivos adiamentos do voo do avião de transporte russo com o facto do aeroporto da capital haitiana estar extremamente sobrecarregado, mas os norte-americanos não têm qualquer dificuldade em receber autorização.

Milagres ainda acontecem

Presença massiva dos EUA coloca em risco missão

A presença massiva norte-americana, de forma independente das Nações Unidas, pode por em risco a liderança brasileira na Minustah, dizem analistas ouvidos pela Lusa, que defendem a presença dos soldados brasileiros como determinante para o sucesso da missão.

O incremento das tropas norte-americanas pode dar a Washington o controlo das operações de resgate, de auxílio e segurança, apesar de o comando ser das forças de paz da ONU, que conta com cerca de 7.000 soldados comandados pelo Brasil, que possui o maior contingente no país, 1.266 militares.

Som da dor é já uma rotina

Entretanto, as equipas médicas já não reagem aos gritos lancinantes de quem foi amputado nem ao choro contínuo das crianças: no superlotado Hospital Comunitário Haitiano de Port-au-Prince, o som da dor é já uma rotina, escreve a Lusa.

A unidade de saúde é pequena e não estava concluída quando a terra estremeceu a 12 de Janeiro, mas tal não tem sido impedimento para receber todos os que ali recorrem: há agora 250 pessoas internadas e outras tantas são diariamente socorridas.

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