Cerca de 10.655 candidatos a asilo na Suécia retiraram as candidaturas e deixaram o país nos primeiros oito meses de 2016. Em causa estão o demorado processo de regularização, as regras demasiados restritas para reunir famílias e os pagamentos do Estado aos refugiados que regressem de forma voluntária ao país de origem.

De acordo com o jornal britânico Independent, os novos pedidos de asilo, feitos entre janeiro e agosto de 2016, foram menos de metade, quando comparados com os do mesmo período de 2015

A Suécia costumava ser um dos destinos mais populares da Europa para os refugiados, com o número de pedidos de asilo a duplicarem entre 2014 e 2015, para mais de 160 mil.

A elevada taxa de sucesso (55% dos pedidos foram aceites em 2015) combinada com benefícios sociais generosos para os requerentes de asilo, e uma população relativamente acolhedora, fizeram da Suécia um país extremamente popular entre as pessoas que fogem da guerra e da perseguição. O país escandinavo tornou-se o segundo na Europa a ter o maior número de refugiados per capita.

Mas para muitos requerentes de asilo que chegaram ao país em 2015, a Suécia não foi o El Dorado que esperavam. Muitos enfrentaram um longo e frio inverno no limbo político, acomodados em alojamentos improvisados, enquanto o Estado lutava para lidar com o grande número de novos pedidos. Menos de 500 dos 160 mil refugiados no país conseguiram garantir postos de trabalho.

Preocupada com a pressão colocada sobre a economia do país, que contava gastar cerca de 1% do PIB com refugiados em 2016, a Agência sueca de Migração, um departamento do Governo responsável pelo processamento de pedidos, introduziu regras mais duras no início do 2016, com o objetivo de dissuadir e impedir a entrada de mais refugiados.

A Suécia reforçou o controlo de fronteiras, assim como endureceu as regras para reunir famílias. Retirou-se o alojamento aos refugiados cujos pedidos de asilo foram recusados e anunciaram-se medidas para facilitar a detenção de imigrantes.

A população sueca também pareceu estar a tornar-se mais hostil aos imigrantes.

Uma sondagem divulgada em fevereiro revelou que a imigração era a principal preocupação para 40% dos suecos, acima de inquietações relacionadas com o insucesso escolar, o desemprego e o bem-estar. Esta foi a maior mudança de opinião na história das sondagens na Suécia.

"A maioria dos suecos não é racista", afirma a ministra do Emprego e da Integração Ylva Johansson. "Mas quando há esta situação especial de asilo, quando eles não podem trabalhar e não podem integrar-se na sociedade, isto cria realmente uma tensão. É uma situação perigosa; temos muita gente na terra de ninguém… a viver fora da sociedade."

Como consequência da mudança de regras e de atitude, a Agência de Migração prevê agora apenas um total de 60 mil novos pedidos de asilo em 2016. O mesmo departamento governamental revê a estimativa de quanto dinheiro será necessário para alojar os candidatos a asilo: menos 4,8 mil milhões de coroas suecas (422 mil milhões de euros) do que era originariamente estimado.

Para além de dissuadir novos pedidos de asilo, a situação tem incentivado um maior número de refugiados a aderir ao novo regime em vigor desde o início de 2013: o Governo sueco oferece até 3.500 coroas suecas (369,12 euros) a indivíduos e 8.600 coroas (906, 86 euros) a famílias que regressem de forma voluntária ao país de origem. O dinheiro só é entregue depois do indivíduo ou da família deixarem a Suécia.