Uma combinação de erros "humanos e técnicos" está na origem do bombardeamento norte-americano ao  hospital dos Médicos Sem Fronteiras, a 3 de outubro, na cidade afegã de Kunduz. É o que revela um relatório de três mil páginas elaborado pelo Pentágono.

De acordo com as conclusões do relatório citado pela BBC News, o helicóptero  AC-130 de combate das Forças Especiais dos EUA, que lideraram a operação, tinha a intenção de atingir instalações que os militares acreditavam ser um centro de operações para os talibãs em Kunduz.

A tripulação do aparelho não conseguiu localizar as instalações em causa através das coordenadas recebidas e baseou-se na descrição oferecida no terreno por tropas afegãs e por forças especiais dos EUA. Com base nessa descrição, o helicóptero bombardeou por erro o hospital dos Médicos Sem Fronteiras.

O ataque aéreo, que provocou 30 mortos, ocorreu durante a contraofensiva das tropas afegãs para recuperar Kunduz das mãos dos talibãs. A tomada de Kunduz foi a maior conquista militar dos talibãs desde o fim do regime, com a invasão dos EUA em 2001.

O Presidente norte-americano, Barack Obama, pediu desculpas à Médicos Sem Fronteiras e a Comissão Internacional Humanitária de Genebra iniciou uma investigação independente.

Na sequência do bombardeamento ao hospital dos Médicos Sem Fronteiras em Kunduz foram lançadas pelo menos três investigações separadas, da responsabilidade dos Estados Unidos, da NATO e das autoridades afegãs.

A organização Médicos Sem Fronteiros descreveu o ataque como um crime de guerra e exigiu uma investigação completa.

“O assustador catálogo de erros hoje apresentado ilustra a negligência grosseira praticada pelas forças militares dos Estados Unidos e a violação das regras da guerra”