Seis meses de audições e reuniões, trezentas páginas de relatório para avaliar o que não impediu a morte de 147 pessoas, o total das vítimas dos atentados ocorridos em Paris, em Janeiro e Novembro do ano passado. As conclusões da comissão parlamentar foram agora reveladas. Apontam excesso de burocracia, organismos com funções repetidas e propõem que a luta antiterrorista passe da alçada o ministério do Interior para a do primeiro-ministro.

A criação de uma agência centralizada de combate ao terrorismo, à semelhança do que existe nos Estados Unidos, é uma das soluções propostas no relatório divulgado esta terça-feira pela imprensa francesa.

O relatório acaba por pôr o dedo na ferida sobre as falhas que permitiram os sangrentos atentados ao jornal satírico Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, e a carnificina de Novembro passado, em que morreram 130 pessoas e cerca de 500 ficaram feridas nos ataques à sala de espetáculos Bataclan e a outros pontos de Paris.

Um dos exemplos mais gritantes diz respeito às famosas “Fichas S”, que identificam quem possa ser uma possível ameaça à segurança francesa. Há cerca de dez mil dessas fichas, no meio de 400 mil de outro tipo. Pior. Nem todas podem ser consultadas por diferentes órgãos de polícia.

A comissão de inquérito passou por grandes dificuldades para obter o nome dos indivíduos investigados pelos diferentes serviços na luta antiterrorismo. A razão é simples: não existe um ficheiro consolidado”, refere-se no relatório agora divulgado.

O deputado Georges Fenech, presidente da comissão de inquérito, pretende agora assegurar a aplicação total ou parcial das 39 recomendações constantes no relatório sobre a atuação dos serviços franceses de informação.

Não somos nem procuradores, nem juízes, não acusamos, nem julgamos”, sustentou Fenech, logo no início dos trabalhos da comissão, acrescentando “somos comissários de inquérito, cujo objetivo é o de apurar a verdade e fazer propostas para que o governo tome medidas para remediar o que não está bem”.