Já para o BPI, a lei que abriu a porta à desblindagem de estatutos facilitou a OPA do CaixaBank. Agora, também o decreto-lei sobre o reagrupamento de ações em sociedades cotadas, diploma do Governo promulgado pelo Presidente da República, vem também abrir a porta a que os chineses da Fosun avancem mesmo para o BCP, com o conselho de administração do banco a comunicar que vai fundir as ações no dia 24 de outubro. Tudo encaminhado nas negociações com a Fosun, que são para "prosseguir e finalizar" em breve. 

Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, antes da abertura da bolsa, o BCP declara a "produção de efeitos na data de 27 de setembro de 2016 da deliberação da assembleia geral de acionistas de 21 de abril de 2016, que deliberou proceder ao reagrupamento, sem redução do capital social, das ações representativas do capital social do Banco".

De que forma será feita esta fusão de ações? "Mediante a aplicação de um quociente de reagrupamento de 1:75", isto é, cada 75 ações passarão a corresponder a 1. Todas ficam abrangidas. 

A reação em bolsa está a ser positiva: os títulos já estiveram a subir mais de 3% a abertura, sendo que pelas 08:20 avançavam 2% para 0,0153 euros. Simulando que o reagrupamento seria com as ações a este valor, cada uma passaria a valer 1,1475 euros.

Os títulos que sobrarem terão uma contrapartida2,57 cêntimos por cada cada um - "em dinheiro a receber pelos acionistas pelas ações que não permitam a atribuição de um número inteiro de ação, valor este correspondente ao preço médio ponderado das ações representativas do capital social do Banco no mercado regulamentado Euronext Lisbon nos seis meses imediatamente anteriores à data da presente deliberação".

A medida terá efeitos no dia 24 de outubro de 2016 e os acionistas podem compor os seus lotes de ações até ao dia 21 de outubro.

"Através de compra e venda de ações para a obtenção de um número total de ações detidas que seja múltiplo de 75, tendo em vista o reagrupamento, sendo, até essa data, efetuado depósito ou prestada garantia em valor correspondente ao montante máximo da contrapartida a atribuir, nos termos legais". 

Noutro comunicado, o Banco Comercial Português informa que, na reunião realizada na terça-feira pelo Conselho de Administração foi apreciado "favoravelmente o desenvolvimento, com substanciais progressos, das negociações com a Fosun Industrial Holdings Limited".

Como os líderes do BCP constataram que a publicação do decreto-lei, por parte de Marcelo Rebelo de Sousa, que permite o reagrupamento de ações, viram nisso uma "evolução favorável" quanto ao "preenchimento das condições suspensivas a que o investimento proposto pela Fosun foi sujeito".

Fica assim aberto ainda mais o caminho para os chineses ficarem com 16,7% do capital, sendo que admitem aumentar a participação no banco português até 30%. 

Ainda há, realça o mesmo comunicado, "condições por verificar, entre as quais as relativas às aprovações pelas entidades de supervisão bancária".

Certo é que a comissão executiva do BCP ficou mandatada para "prosseguir e finalizar com exclusividade as negociações com a Fosun". A ideia é que apresente os resultados desse processo na próxima reunião do conselho de administração.