A capacidade de financiamento da economia portuguesa face ao exterior fixou-se nos 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013, o primeiro ano em que Portugal gerou capacidade de financiamento (e não necessidade), segundo o INE.

Défice orçamental foi de 4,9% em 2013

De acordo com as Contas Nacionais Trimestrais por Setor Institucional, hoje divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) - depois de, em 2012, a economia portuguesa ter registado uma necessidade de financiamento de 0,1% - Portugal passou a ter uma capacidade de financiamento equivalente a 2% do PIB, em 2013, o primeiro ano em que a economia registou esta capacidade.

Dívida pública foi de 129% do PIB

Desde 1996 e até 2012, a economia portuguesa registou sempre necessidades de financiamento, o que significa que o saldo das relações financeiras com o exterior foi consecutivamente negativo.

Esta evolução em 2013 deveu-se, sobretudo, à melhoria do saldo externo de bens e serviços, com as exportações a crescerem 5,4% em 2013, «o que mais do que compensou o aumento de 0,9% das importações».

O PIB atingiu os 165.666 milhões de euros em 2013, um crescimento nominal de 0,3% face a 2012, ano em que o valor do PIB foi de 165.107 milhões de euros. No entanto, em termos reais, a economia portuguesa contraiu-se 1,4% em volume no conjunto de 2013.

Considerando apenas as administrações públicas, a necessidade de financiamento diminuiu, passando dos 6,5% em 2012 para os 5% do PIB em 2013, explicando o INE que estes valores divergem dos divulgados no Procedimento dos Défices Excessivos devido a diferenças no tratamento de juros.

A diminuição do défice em 2013 reflete o aumento de 27,8% dos impostos sobre o rendimento e o património, que «mais do que compensou os aumentos das remunerações e das prestações sociais pagas (7,7% e 5,3%, respetivamente)».

A evolução das remunerações traduz a reposição do pagamento dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos em 2013.

No caso das sociedades não financeiras, a necessidade de financiamento fixou-se nos 2,1% do PIB em 2013, depois de ter sido de 3,9% em 2012, uma redução que se deveu sobretudo ao saldo menos negativo dos rendimentos de propriedade e à redução do investimento.

O investimento das sociedades não financeiras diminuiu 7,3% em 2013, depois de ter registado uma queda de 10,6% em 2012.