O líder parlamentar do PCP reiterou esta quarta-feira a necessidade de outras políticas para a floresta e para o combate aos fogos, em vez de demissões ou pedidos de desculpa, sugerindo a revisão do défice previsto para 2018.

Se o Governo recusar a imposição do défice de um por cento e admitir um défice de 1,5%, em 2018, isso pode significar a libertação de mil milhões de euros para responder aos problemas da floresta nas áreas da Administração Interna, do ordenamento florestal, dotação de meios do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e outras estruturas", disse João Oliveira, em declarações aos jornalistas no parlamento, a propósito da demissão da ministra da Administração Interna.

Sublinhando que o PCP não acompanha “a lógica de quem já foi adiantando a ideia de que tem de se ver se há margem orçamental para responder aos problemas da floresta”, João Oliveira defendeu que “a questão é a de encontrar margem orçamental”.

Não podem ficar dependentes da avaliação relativamente a medidas para resolver outros problemas. Pôr em alternativa, dar respostas aos problemas da floresta ou devolver pensões, direitos e rendimentos aos trabalhadores e reformados do país, não é uma alternativa que se coloque", frisou João Oliveira.

O presidente da bancada comunista afirmou ser "preciso alterar opções e políticas, não só adotando medidas imediatas que é preciso considerar como políticas de fundo que é preciso pôr em prática relativamente às questões da floresta que vão para lá da Administração Interna".

"Não são as demissões por si só que resolvem os problemas. As tragédias que tivemos em junho e em outubro são resultado de problemas acumulados na floresta portuguesa na sequência de décadas de políticas de direita da responsabilidade de governos do PSD, CDS e também do PS", continuou o deputado comunista.

Para João Oliveira, "os pedidos de desculpa nunca resolverão tudo".

"Não digo que não possa ser devido [um pedido de desculpa aos portugueses] e ajudar, mas não resolve as vidas perdidas, a falta de apoio das pessoas, a perda do emprego, de habitações, em muitas circunstâncias a vida das pessoas", afirmou.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, apresentou um pedido de demissão, que foi aceite pelo primeiro-ministro, anunciou hoje o gabinete de António Costa.

Constança Urbano de Sousa diz na carta de demissão enviada ao primeiro-ministro que pediu para sair de funções logo a seguir à tragédia de Pedrógão Grande, dando tempo a António Costa para encontrar quem a substituísse.