As tabelas de retenção na fonte do IRS para este ano têm taxas mais altas do que deviam ter, sobretudo para a classe média. Ou seja, o Fisco está a ficar-nos todos os meses com dinheiro a mais. A denúncia é da ordem dos técnicos oficiais de contas (OTOC).
 
De acordo com o estudo da Ordem, são os salários brutos até 3.705 euros os mais penalizados. E dentro destes escalões, quem está pior são os solteiros, já que a taxa de retenção está em média, 18,4% acima do que seria tecnicamente correto.
 
Mas mesmo as famílias com filhos, estão a ser prejudicadas. «Se pegarmos no exemplo de um casal, com dois salários brutos de mil euros cada e dois filhos, o Fisco pode estar a reter 13,5%, quando a taxa efetiva de imposto no final do ano, pode ser de pouco mais de 2%. Essa diferença, é o que está a ser retido a mais», explica Ana Cristina Silva, da OTOC, à TVI.
 

«No final de cada ano, quando é feito o acerto, o Fisco devolve aos contribuintes o que tiver retido a mais. Mas entretanto muitas famílias são obrigadas a viver mensalmente com menos dinheiro disponível do que deviam», acrescenta a responsável.

 
E há uma razão para o fisco visar especialmente a classe média. «É na classe média que se concentra o maior número de famílias, isto é, o maior número de contribuintes e de pagadores de IRS».
 
Fazendo recair aqui a maior divergência entre imposto retido e imposto devido, o Fisco maximiza a cobrança mensal. «O Fisco está a financiar-se à custa dos agregados familiares», resume Ana Cristina Silva.
 
No mesmo ano em que entra em vigor a Reforma do IRS, a OTOC faz o reparo: «um dos grandes objetivos da reforma era baixar a taxa de imposto sobre as famílias, e há efetivamente uma diminuição do imposto real. Mas curiosamente, não houve essa mesma preocupação na hora de elaborar as tabelas de retenção», lamenta.
 
De acordo com os dados do Ministério das Finanças, nos últimos anos a diferença entre o imposto retido e o efetivamente devido tem vindo a reduzir. Em 2010 o Fisco teve de devolver 21% do que reteve, ao passo que, em 2014, os reembolsos representaram apenas 15% do valor retido.