Na semana que agora termina o Orçamento do Estado para 2017 voltou a ter grande destaque, liderando o ranking de notícias. Igualmente, José Sócrates continua a gerar tudo menos indiferença e declara-se como um forte concorrente ao primeiro lugar. Pouco depois do 11 de Setembro, volta a falar-se de atentados e de insegurança nos EUA e o futebol, como habitualmente, gera grande fluxo de notícias. Não podemos deixar de referir o muito próximo lançamento do livro (eventualmente adiado) de António José Saraiva, sobre a vida íntima dos políticos, que seria apresentado por Passos Coelho e, em poucos dias, deixou de o ser.

Nesta semana, de fim de Verão e de tardes longas, o Orçamento do Estado para 2017 continua em grande destaque. Mas, na verdade, não é bem a versão final deste documento que nos preocupa. O que tem vindo a galvanizar alguns portugueses é a discussão em torno da possível tributação do património, agora a partir de 1 milhão de euros. Uns defendem que a justiça fiscal não pode assentar apenas na tributação do trabalho e, daí a necessidade de olhar sobre património não consagrado e arrendamento, produção de bens ou prestação de serviços acima daquele valor – afinal, o estudo apresentado recentemente pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que aponta que entre 2009 e 2014, os 10% de portugueses mais pobres perderam 25% do rendimento parece ser suficiente para sublinhar a necessidade de novos padrões em termos de justiça fiscal... e social; outros defendem que a questão assenta na capacidade de poupar. E, quem poupou e conseguiu garantir património em torno destes valores não pode ser penalizado. Estas questões polémicas apresentam uma vantagem evidente: estamos todos mais opinativos, trouxemos para a superfície o “político que há em nós”… (porque afinal, não somos todos iguais nem na condição, nem na razão.)

Por outro lado, Mortágua tornou-se sinónimo de Mortífera. Na 5ª feira, durante a sua entrevista à TVI, as redes sociais inflamaram-se em níveis pouco vistos. Uns amam, outros odeiam. Mas, ninguém lhe fica indiferente. O PSD e CDS, ávidos de arregimentar argumentos contra a “geringonça”, aproveitam como podem esta polémica. Costa aparece, como sempre, a procurar acalmar os ânimos e, sobretudo, os investidores.

E Sócrates mantém-se bem vivo, para gáudio dos seus fãs e desespero dos seus inimigos. Agora, vai participar numa Universidade de Verão organizada pelo PS e são muitos os que, dentro do partido, demonstram grande desconforto com esta renovada visibilidade, enquanto outros promovem sentidas homenagens.

O futebol continua a ser notícia e, sobretudo, a sublinhar paixões. O campeonato nacional, apesar de no início, está ao rubro – aliás, como sempre. O Sporting ao perder para o Rio Ave, perdeu a liderança desta prova e o Benfica, por ter ganho ao Braga, é agora líder destacado da competição. Ninguém se importa que só estejamos, ainda, na 5ª jornada.

O Presidente da República Portuguesa esteve nos EUA. Em defesa da candidatura de António Guterres à presidência da ONU. No reforço da diplomacia portuguesa que reconhece ter feito “tudo certo”. Para o seu primeiro discurso na Assembleia das Nações Unidas. Para passear com o seu característico “à vontade” nas ruas de NY. Para não ser reconhecido por um repórter francês. Para estar com o casal Obama. Estar com os portugueses em Newark… Mas, Marcelo avisa “…Agora, há fatores externos que não dependem estritamente, nas próximas semanas, daquilo que tem sido feito”. Vamos então esperar para ver!

 

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.