O candidato presidencial Henrique Neto afirmou esta sexta-feira que pretende ser o Presidente da República que, ao "inspirar a sociedade", dê uma "orientação, um caminho" de forma a acabar com uma política portuguesa de "navegação à vista".

"O que tem acontecido na política portuguesa é uma certa navegação à vista. Vem um partido, ganha o poder, ganha as eleições e a seguir vem outro que desfaz tudo aquilo que o anterior fez", disse Henrique Neto, acrescentando que, caso ganhe as eleições, pretende contrariar a tendência de "casa a construir-se/casa pelo chão".

O candidato usou mesmo como exemplo um caso do atual Governo PS que três dias depois de ter chegado ao poder terminou com o modelo de exames que o anterior PSD/CDS-PP instituiu.

"Não se pode continuar a construir uma casa a partir dos alicerces e quando chega ao telhado, deita-se tudo abaixo. Isto não é racional. Não é possível que um país se desenvolva desta forma. Um Presidente da República pode inspirar as pessoas para que acabem a casa", afirmou.


Segundo esta lógica, Henrique Neto credita que um Presidente da República não pode ser "refém de um partido, nem de ideias passadas" porque, defendeu, "as pessoas não podem estar a trabalhar apenas para hoje, têm de trabalhar para o ano que vem, para os próximos cinco ou dez anos".

O empresário falava à agência Lusa em Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga, onde contactou com trabalhadores à saída da fábrica de pneus Continental Mabor, comentando que aqueles funcionários "felizmente têm emprego, mas o desemprego é porventura o maior drama de Portugal".

"E não vai haver empregos se não houver crescimento económico e não vai haver crescimento económico se não houver investimento. Temos de procurar investimento. É necessário adotar uma estratégia que conduza ao investimento não apenas nacional, mas também internacional. Portugal não pode limitar-se à sua dimensão europeia mas deve ter uma dimensão atlântica, universal. Temos de ir buscar investimento a todo o mundo", defendeu.


Além deste contacto, Henrique Neto visitou a feira Vila do Conde e esteve no mercado da Póvoa do Varzim, além de ter participado numa arruada em Braga, admitindo que tem vindo a sentir que tem "muitos mais apoiantes do que há um mês".

"Há sempre muitas pessoas desiludidas com a política e eu tento mostrar que a abstenção não resolve coisa nenhuma. Abster-se é desistir do país e nós não podemos desistir do nosso país, temos de votar. As pessoas sentem-se enganadas pelo passado e talvez seja vantajoso que pensem e analisem melhor", apelou Henrique Neto.


Segundo o empresário, "as pessoas estão mais cansadas dos partidos", pelo que o facto de se tratar de um candidato independente pode ser "um fator de adesão" à sua candidatura".

"Por outro lado as pessoas sabem que tenho uma experiência de vida. Aqui um senhor disse-me que gostou de me ouvir dizer que os académicos não resolvem os problemas. É um operário, um trabalhador que sabe que os problemas da empresa e da vida não se resolvem com teorias, resolvem-se com a experiencia prática da vida. As pessoas reconhecem que eu tenho um percurso da economia real e não das teses e das teorias dos académicos. Nos mercados e nas fábricas, as pessoas sabem do que estou a falar", concluiu.


As eleições para a Presidência da República são no próximo dia 24 de janeiro.