Neste início de Maio estamos em final de estação do afirmar de uma nova forma de governação e a entrar numa nova estação de normalidade governativa e de oposição sustentada.

Já passaram alguns meses desde o fim do governo anterior e começa a parecer que tudo o que se passa agora já pouco tem a ver com o que se passou durante quatro anos.

Para além das políticas de governação serem diferentes, até o anterior líder de governo optou por cortar amarras e simultaneamente categoriza de retrógradas as políticas da actual maioria e recusa qualquer responsabilidade sobre o passado, seja ele sobre o Banif ou qualquer outro tema.

O cortar de amarras da anterior estação política, que vinha desde Outubro, deu-se em torno das polémicas, dos posicionamentos e das tácticas aplicadas no programa de estabilidade e no plano nacional de reformas, pelo que agora é tempo de recuperar forças no parlamento e fora dele.

A nova estação chegou tarde mas ainda a tempo de coincidir com o 1.º de Maio e com a escolha do Primeiro Ministro de inovar, de novo, politicamente e escolher rumar até aos Açores - longe de potenciais polémicas das esquerdas no 1.º de Maio em Lisboa.

Vai ser tempo de outros temas políticos entrarem, ou regressarem às notícias, tais como a procriação medicamente assistida e gestação de substituição, a sustentabilidade da segurança social, o fim (ou não) de portagens, o sistema financeiro e a sustentabilidade da banca, as iniciativas legislativas dos cidadãos ou, ainda, os suicídios nas forças de segurança.

E para fechar e abrir ciclos, nada melhor do que o tempo mudar também, com a chegada das temperaturas altas e o afastar da chuva em Portugal, mas também com mudança de temperatura na actualidade presidencial, com o Presidente da República a rumar até Moçambique onde a estação política está, muito rapidamente, a aproximar-se do ciclone tropical.

Ficha técnica

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