Paulo Guinote, professor e autor do blogue «A Educação do Meu Umbigo», conta que há cada vez mais professores a recorrerem a psicólogos e psiquiatras. Ao tvi24.pt explica que os casos extremos dos professores que se suicidaram, Luís, de Sintra, e José António Martins, de Vouzela, se aproximam de milhentos casos que existem no país. Paulo Guinote tem tomado conhecimento de alguns desses casos através de situações descritas no blogue, de e-mails que lhe enviam ou no contacto interpessoal.

«Há muitos colegas meus mais novos, na casa dos 30, 40 anos, a entrar numa espiral de depressão e tristeza porque se sentem pressionados a todos os níveis, não só ao nível da escola, como da tutela», refere.

Professora relata drama «escondido» do mobbing

Paulo Guinote sublinha que os casos de indisciplina e violência dos alunos, as pressões por parte da tutela e das direcções das escolas, o stress da avaliação de desempenho e a perda de companheirismo «causam um cocktail explosivo dentro das escolas» e «o que disse esse professor [José António] na mensagem que deixou pode ser dito por qualquer um, mesmo não chegando a esse extremo [suicídio]», defende.

«Foi lançada uma espécie de ofensa geral de que os professores não faziam nada e há pessoas que reagem de forma visceral, umas refugiam-se nos comprimidos receitados pelos psiquiatras, outras no suicídio», acrescenta. «Os professores não sabem para onde se virar, sentem-se sem apoio, encurralados», constata.

O que leva um professor a suicidar-se

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Sobre a medida da FENPROF apresentada ao Ministério da Educação para que o stress dos professores seja considerado doença profissional, Paulo Guinote entende que «é uma espécie de evidência». Mas entende também que não seria fácil de implementar: «poderia gerar uma espécie de desconfiança, não sei como conseguiríamos que fosse aceite pela tutela».

Ainda assim, Paulo Guinote acredita que a medida teria grande adesão por parte dos docentes caso viesse a ser implementada. «De observação, e com base no número de pedidos de reforma que tem sido apresentado anualmente, acho que com esse motivo os pedidos de aposentação duplicariam», vaticina. Paulo Guinote calcula que «entre 10 e 20% dos professores estão em situações limite neste momento».