Por: Redacção / CF | 18- 3- 2010 10: 49
Parece um surto. O surto das reformas antecipadas. O coordenador da Missão dos Cuidados de Saúde Primários, Luís Pisco,
faz o diagnóstico e mostra-se preocupado com a reforma antecipada de quase trezentos médicos. Chama-lhe uma «catástrofe» para
os cuidados de saúde primários.
Segundo o Ministério da Saúde (MS), até finais de Fevereiro, foram registados 284
pedidos de reforma antecipada. Como é habitual, os números oficias e os dos sindicatos não batem certo. O Sindicato Independente
dos Médicos (SIM) alarga o número para cima de 400. Carlos Arroz, do SIM, explica a discrepância. «O Governo tem apontado
os números que deram entrada na Caixa Geral de Aposentações. Mas há um intervalo de tempo entre a apresentação do pedido aos
serviços de saúde e a entrada na Caixa. Neste momento serão mais de 400 pedidos, perto dos 500».
Para pôr um travão
aos pedidos de reforma antecipada, a Alta Comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, acenou aos médicos, na quarta-feira,
com a criação de medidas de excepção para os profissionais de saúde. E o Governo, no âmbito do Programa de Estabilidade e
Crescimento, anunciou já que pretende antecipar o aumento da idade de reforma.
Luís Pisco reforça: «Espero que isso não
se concretize e que seja possível reverter a situação, porque é uma grande perda pessoas no auge das suas capacidades reformarem-se».
Na entrevista à Lusa, o coordenador da Missão dos Cuidados de Saúde Primários descreve a saída destes médicos como
uma «machadada muito forte naquilo que tem vindo a ser a política do ministério de dar médicos de família a pessoas que não
tinham e de procurar resolver os problemas de qualidade e acesso que têm existido nos últimos anos».
Com efeito,
a irem avante estes pedidos e colocados os pratos na balança, há um desequilíbrio entre saídas e entradas de médicos, apesar
do Ministério da Saúde ter anunciado esta quinta-feira a entrada no Serviço Nacional de Saúde de 97 médicos com a especialidade
de medicina geral e familiar, que concluíram em Fevereiro a formação e que permitirão o acesso a médico de família a mais
de 150 mil portugueses.
Os jovens médicos iniciarão de imediato a sua actividade em todo o país, a maioria dos quais
(44) na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte e 26 na ARS de Lisboa e Vale do Tejo. 14 médicos irão para a ARS do
Centro, seis para o Algarve e um para o Alentejo.
A estes médicos acrescem outros seis profissionais contratados
directamente pelas Unidades Locais de Saúde do Alto Minho (um), de Matosinhos (quatro) e do Norte Alentejano (um), adianta
o MS. Medida aplaudida por Luís Pisco, que veio colocar um ponto final num «processo muito burocrático».
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