A decisão de aterrar o Cessna 152 na praia de São João da Caparica, Almada, onde um homem e uma criança foram colhidos mortalmente na tarde de quarta-feira, levantou dúvidas sobre as consequências de levar o aparelho para o mar e não para o areal, mas há histórias de amarar com sucesso. Uma delas aconteceu há dois anos com uma aeronave semelhante e na mesma zona.

De acordo com o relatório do então Gabinete de Prevenção de Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA), a 30 de agosto de 2015, um Cessna FR172H, com dois tripulantes a bordo, descolou do aeródromo de Cascais para um voo de transporte de uma manga publicitária pela zona das praias da Caparica. Com 35 minutos de tempo de voo, o aparelho teve problemas no motor e tentou fazer uma aterragem de emergência num terreno da Trafaria.

Com 35 minutos de tempo de voo, após abandonar Caxias e a cerca de 2 milhas náuticas da povoação da Cova do Vapor, a aeronave, a cerca de 600 pés de altitude, começou a dar indícios de uma anomalia associada à potência do motor", lê-se num relatório do GPIAA.

O piloto ao comando da aeronave "efetuou várias tentativas de recuperação mas sem sucesso". "Já sobre terra, tomou a decisão de voltar pela esquerda em direção a um terreno adjacente aos silos da Trafaria."

No entanto, a manobra não foi possível: o motor acabou por parar, após um "alto estrondo", já depois de ter largado a manga a cerca de 450 pés de altitude. O piloto decidiu então "aterrar no referido terreno".

No entanto, já com full flaps (40º) e dada a libertação da manga e também a componente de vento de cauda a aeronave ganhou velocidade terreno", durante a manobra que tinha como objetivo aterrar com o "vento pela frente". Mas "a aeronave perdeu altitude até a um ponto de não ser mais possível alcançar o terreno tendo o piloto aos comandos tomado a decisão de amarar".

Como indica o relatório, o piloto decidiu amarar quando se encontrava já sem motor. O acidente foi violento, mas “os pilotos saíram da aeronave pelos seus próprios meios e foram, pouco depois, socorridos por pescadores nas proximidades".

O relatório refere também que o acidente de 2015 realça "a importância da presença de dispositivos de flutuação pessoal a bordo para este tipo de trabalho aéreo".