Quase que a tínhamos esquecida, a forma da água, durantes os longos meses de seca que atingiu Portugal até há poucas semanas. Ainda a 15 de fevereiro deste ano, "9% do território nacional estava em seca extrema, 77% em seca severa e 10% em seca moderada", segundo um artigo no Expresso de 21 de fevereiro 2018.

Uma seca que vinha de abril do ano passado e que atingiu o seu pico em outubro 2017, o mais seco dos últimos 20 anos e o mais quente desde 1931. As consequências disso, amplificadas pela fragilidade de longa data das políticas públicas nesta área, foram terríveis em termos de território e sobretudo vidas humanas. E agora de repente a chuva voltou, toda de uma vez, com riscos iguais e opostos.

Se alguém escrevesse um manual da escola primária sobre ‘Alterações Climáticas’ não encontraria descrição mais clara. Entretanto, no mar das notícias, poucas vozes se arriscam a ir por aí. Entre elas, a do presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS), o geofísico Filipe Duarte Santos, o qual nos avisa que esta será a situação mais comum no futuro. 

Os líquidos tomam a forma do contentor em que estão, e a política também. E qual será a forma da direita portuguesa? Ao fechar o congresso do CDS – segunda notícia do barómetro – Assunção Cristas declarou que o partido "é o mais apto a governar Portugal". Ainda não é claro qual será a forma de atingir este objetivo e se o CDS cederá à tentação populista, que se mostrou bem rentável em termos eleitorais em todas as últimas eleições em países europeus.

E o protesto? Em Portugal, tem sobretudo a forma da greve. Terceira notícia do barómetro, a greve dos trabalhadores da Infraestruturas de Portugal atingiu 90% de adesões, segundo os sindicatos. Assim, no equilíbrio de pesos específicos deste barómetro, o futebol desce para a quarta posição, talvez sobrecarregado pelo peso das recentes polémicas e suspeitas.

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Sofia Barrocas e Inês Balixa. Apoios: IPPS-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom. 

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.