A Polícia Militar brasileira contabilizou mais de 3,6 milhões de manifestantes nas ruas de mais de 300 municípios de todo o Brasil, naquele que já é considerado o maior protesto de sempre no país. A organização avançou, de acordo com a imprensa brasileira, números bem diferentes e fala em 6,8 milhões de brasileiros nas ruas, contra Dilma Rousseff, Lula da Silva e o PT.

Os protestos ocorrem um ano depois de o Brasil ter saído à rua pelos mesmos motivos, mas a dimensão das manifestações foi bem diferente. A 15 de março do ano passado, as autoridades contabilizaram 2,4 milhões de manifestantes e os organizadores três milhões.

Protestos deste domingo vestiram o Brasil de verde e amarelo

Apesar da dimensão, as manifestações decorreram de forma pacífica, com poucos incidentes. Os manifestantes, vestidos com as cores das bandeiras, envergavam cartazes onde pediam a saída da líder do Governo federal e alertavam contra a corrupção no país. Depois das notícias envolvendo Lula da Silva, na última semana, em que o Ministério Público brasileiro pediu a sua prisão preventiva, o antigo presidente foi também um dos maiores visados.

Em São Paulo, vários políticos que quiseram participar dos protestos políticos foram hostilizados. Marta Suplicy, do PMDB, o governador do estado, Geraldo Alckmin (PSDB), e o senador Aécio Neves, do PSDB, foram vaiados nas ruas.

Políticos que se juntaram ao protesto chegaram a ser hostilizados

 

O jornal Folha de São Paulo fez uma análise do perfil dos manifestantes nas ruas da cidade. Os protestos cresceram, mas o perfil continua a ser de uma classe média-alta. Dados de uma sondagem publicada pela edição online do jornal apontam para que 77% dos manifestantes tenham formação académica superior. Dezoito por cento terão o ensino médio (equivalente ao ensino secundário português) e só 4% terão o ensino fundamental. Também em termos de rendimentos as diferenças são abissais: 26% dos manifestantes auferem de mais de 5 a 10 salários mínimos e apenas 6% ganham até dois salários mínimos.

Nem só de anti-Dilma se fizeram as manifestações. Também foram realizados protestos de apoio ao governo Dilma, a Lula e ao PT, em cidades como Recife, Fortaleza, Porto Alegre, São Bernardo do Campo, Vitória, Monte Claros e Coronel Fabriciano e São Luís do Maranhão.

Dilma enalteceu o caráter pacífico das manifestações. O Palácio do Planalto divulgou um comunicado, este domingo à noite, onde sublinhava que a "liberdade de manifestação é própria das democracias e por todos deve ser respeitada".

"O caráter pacífico das manifestações ocorridas neste domingo demonstra a maturidade de um país que sabe conviver com opiniões divergentes e sabe garantir o respeito às suas leis e às instituições", acrescentou a Presidência da República.

De acordo com o portal G1, este domingo, a presidente recebeu, no Palácio da Alvorada, alguns dos seus ministros. Estiveram presentes o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, e o ministro da Defesa, Aldo Rebelo, o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, da Casa Civil, Jaques Wagner, e o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo.

Dilma reuniu com alguns ministros no dia em que o povo pediu a "morte" do seu Governo

 

Não foram adiantados quaisquer pormenores sobre os assuntos abordados na reunião.