O ministro da Saúde defendeu, nesta sexta-feira, que deviam ter sido "acauteladas as necessidades de financiamento" da nova ala pediátrica do Hospital de São João do Porto.

Adalberto Campos Fernandes, que falava à margem do II Congresso SNS - Património de Todos que decorre hoje e sábado no Porto, procurou vincar que a tutela está "muito apostada" em ajudar o Centro Hospital de São João (CSHSJ) e avançou que vai reunir-se com a comissão responsável pelo projeto, mas criticou a falta de planeamento.

"Quando se fazem projetos e planeamentos há que acautelar as necessidades de financiamento. Não se faz uma obra estimada em 20 milhões de euros, cujo planeamento financeiro não foi feito e agora tem 500 mil euros disponíveis", disse o governante.

Em causa está uma empreitada que é financiada por fundos privados, angariados através da Associação Humanitária "Um Lugar Pró Joãozinho".

O novo espaço destinado ao internamento pediátrico do CHSJ, que funciona desde 2011 em contentores, prevê a construção de três novos pisos sobre dois já existentes numa zona integrada do edifício principal do hospital, perto da urgência pediátrica.

As obras da nova ala pediátrica arrancaram em novembro de 2015 e foram suspensas na semana passada porque, segundo a associação, o Centro Hospitalar não libertou o espaço necessário à sua continuação, mas o CHSJ, em comunicado, garantiu que "não há razões imputáveis ao CHSJ que justifiquem a paragem dos trabalhos".

O CHSJ considerou mesmo, na mesma nota, que as obras suspensas há uma semana só serão possíveis com recurso a investimento público.

Hoje, questionado sobre o tema, o ministro da Saúde afirmou que se trata de "um projeto meritório que parte da sociedade portuguesa", mas recordou que "não foi acautelada em 2010, em nenhum momento, a necessidade de financiamento público".

"Ninguém está contra ninguém. Aliás eu venho cá no dia 8 para inaugurar o Centro Materno-Infantil do Norte e é claro que queremos fazer pelo São João aquilo que o São João merece, sobretudo aquilo que as pessoas do Norte merecem", comentou Campos Fernandes que, face à insistência sobre se o Governo poderá estabelecer um compromisso com o projeto, remeteu para uma futura reunião.

"Vamos receber a comissão que dinamizou esta iniciativa. Vamos trabalhar com calma e ver o que é possível fazer nos próximos anos", indicou.