Bruno Mars fez jus ao nome e deu um espetáculo do outro mundo. Não faltou nada. Desde o fogo de artifício meticulosamente combinado com a batida e com a coreografia de "24k Magic", até à interação com o público em português - "quero você" -, o artista pop norte-americano levou os 90 mil festivaleiros à loucura, do início ao fim da atuação.

O cabeça de cartaz do segundo dia do festival - o único que esgotou - mostrou no Palco Mundo o artista completo que tanto o caracteriza. Quando não cantava, mostrava os seus dotes na dança e impossibilitava o parque da Bela Vista de ficar em silêncio. 

Um dos momentos altos desta atuação de quase duas horas chegou com "When I was your man". Bruno Mars não conteve as lágrimas depois de milhares de pessoas a cantarem numa só voz.

Demasiada emoção para um dia esgotado?

As emoções fortes chegaram mais cedo do que o esperado, logo no concerto de abertura com Agir, o único português a pisar o palco principal neste domingo. Beneficiou dos milhares que iam chegando desde cedo para marcar lugar e presenteou o público com uma surpresa inesperada. É Bruno Mars quem canta "Marry me", mas foi Agir quem chamou ao palco um jovem casal para um pedido de casamento pouco comum, mas que, certamente, ficará para a história.

Com Demi Lovato não foi diferente. Emocionada desde a entrada em palco, numa estreia absoluta em Portugal, não escondeu a alegria de atuar em terras lusas.

Criou proximidade com o público, com uma atuação que tinha tanto de frenética quanto de emotiva. Primeiro, levou os fãs às lágrimas ao recordar uma música que escreveu no início da carreira:

Lembro-me de ter 16 anos e estar no meu quarto a escrever esta música, a "Catch me".

Depois, foi a vez do público apoiar a cantora norte-americana quando esta expôs, pela primeira vez, as suas vulnerabilidades. Apresentou em primeira mão uma música, lançada na passada quinta-feira, sobre o seu vício do álcool, recaídas e sentimentos de culpa. Foi com "Sober" que Demi Lovato terminou a atuação, deixando o palco de tal forma comovida que não voltou para se despedir dos fãs.

Nem só de lágrimas se fez o Rock in Rio

Numa noite de estreias, mais um fenómeno, desta vez vindo do Brasil. Anitta atuou pela primeira vez em Portugal, neste que foi o primeiro de três concertos na Europa.

Trouxe uma legião de fãs consigo e aqueceu a Cidade do Rock ao som de êxitos como "Sim ou Não", "Indecente", inspirado no "Faz Gostoso" da portuguesa Blaya e, claro "o Show das Poderosas".

Mostrou a autenticidade do Funk Brasileiro e ainda desafiou o público: "Vocês pensavam que eu não ia rolar a minha bunda hoje?"

Deixou os festivaleiros "babando" e admitiu ser um "dia histórico" por nunca ter sido "tão bem recebida num lugar em toda a [sua] vida".

Dia de estreias também no Music Valley

São considerados um dos artistas portugueses do momento. Aos HMB "ninguém os leva a mal", depois de terem elevado o soul e o funk a um outro patamar ao longo destes 10 anos de carreira. Uma experiência que não passou indiferente no palco.

Acho que foi uma grande estreia porque não conseguia ver até onde iam as pessoas e o público esteve connosco do início ao fim", admite Héber Marques, vocalista da banda.

Em palco, os HMB garantem uma interação especial com a audiência, comprovada com o "Feeling", "Peito" ou "Amor é assim", cantados a uma só voz. Reservaram ainda uma surpresa com a presença do brasileiro Emicida com o single "Estrela Brilha".

Nem só de música se faz o Rock in Rio Lisboa

A oitava edição conta com duas grandes novidades que têm feito as delícias dos festivaleiros. Uma arena de gamming e um palco digital, dedicado a atuações de influenciadores digitais, desde instagrammers, youtubers ou comediantes nacionais e internacionais.

Na arena de gamming disputam-se várias finais de campeonatos de videojogos, exibições de Cosplay, animações de rua e ainda uma réplica, em tamanho real, de uma das naves da saga da "Guerra das Estrelas", a TIE Advanced X1.

A noite prometia muita dança e coreografia – como, aliás, Anita, Demi Lovato e Bruno Mars, já nos habituaram – e, por isso, os palcos Street dance não quiseram perder a carruagem.

Os concertos regressam à cidade do Rock na próxima sexta-feira com The Killers, The Chemical Brothers, Xutos & Pontapés e James. A oitava edição do Rock in Rio Lisboa encerra no sábado, dia que tem Katy Perry como cabeça de cartaz.