O número de portugueses suspeitos de terem sido vítimas de tráfico de seres humanos no estrangeiro mais do que triplicou em 2015 face a 2014, tendo sido sinalizados 58 casos, segundo o Observatório do Tráfico de Seres humanos (OTSH).

O relatório de 2015 do OTSH indica que, em 2015, foram sinalizados 58 portugueses presumíveis vítimas de tráfico de seres humanos no estrangeiro, mais 43 do que em 2014. Do total de casos, dois dirão respeito a menores, sem que seja especificado quantas situações de tráfico de seres humanos de portugueses no estrangeiro foram confirmadas, uma vez que são dados protegidos "por segredo estatístico".

Sob o mesmo sigilo “estatístico” estão situações suspeitas de tráfico para fins de adoção, tráfico para fins de exploração sexual e outras formas.

A maior parte dos portugueses no estrangeiro é vítima de exploração laboral (48 casos sinalizados), nomeadamente no setor agrícola, e Espanha continua a ser o principal país de destino sinalizado.

Houve menos casos de tráfico humano em Portugal 2015

Os casos suspeitos de vítimas de tráfico de seres humanos em Portugal diminuíram ligeiramente em 2015, quando foram sinalizados 135, menos quatro do que em 2014.

Este número influencia apenas pelas situações detetadas em Portugal (menos 47 registos), uma vez as situações presumíveis de tráfico de seres humanos de portugueses no estrangeiro que mais do que triplicaram.

No entanto, o número de crimes de tráfico de seres humanos registados pelas autoridades policiais registou um ligeiro aumento, mais cinco registos do que em 2014.

Passe o cursor sobre os gráficos para ver o número absoluto de casos

O OTSH ressalva que não se deve realizar uma leitura direta entre o número de crimes registados e as vítimas sinalizadas.

Das 193 sinalizações de 2015, as autoridades confirmaram 32 vítimas de tráfico de seres humanos, encontrando-se as restantes classificadas como “pendente/em investigação, não confirmado, sinalizado e não considerado”

De acordo com o OTSH, do total das 32 vítimas confirmadas o ano passado, 12 encontram-se na categoria de Portugal como país de destino, sendo que 10 reportavam-se a tráfico interno. No mapa abaixo podem ver-se os distritos onde foram confirmados casos de tráfico em Portugal no ano passado.

O observatório destaca que 65 por cento das situações de exploração laboral ocorrem sobretudos em áreas rurais, enquanto 75 por cento dos registos de exploração sexual surgem essencialmente nas zonas urbanas.

O organismo do MAI refere igualmente que a maioria das vítimas detetadas em Portugal é europeia, destacando-se as 33 de nacionalidade romena, seguindo-se as de origem africana (17), sobretudo da Nigéria (17), e Brasil (oito).