As gravações registadas pela caixa negra do A320 da Germanwings que se despenhou contra os Alpes franceses permitem reconstruir o que aconteceu nos últimos minutos de voo. De acordo com o jornal alemão «Bild», o comandante do avião pediu a Andreas Lubitz para que assumisse os comandos do aparelho, para que pudesse ir à casa de banho. Passados poucos minutos, ouve-se o capitão Sondenheimer gritar: «Por amor de Deus! Abre a maldita porta!».
 
O início do voo, que saiu atrasado de Barcelona, ficou marcado por conversas lacónicas entre ambos os pilotos. Sondenheimer comentou com Lubitz que não tinha tido tempo para ir à casa de banho e o jovem ofereceu-se na altura para assumir os comandos do aparelho se fosse a qualquer momento.
 
O jornal «Bild» reconstrói os últimos minutos do fatídico voo no dia 24 de março:
 
09:27 (hora de Lisboa) – O avião seguia a 11 600 metros de altitude. O capitão Sondenheimer pede a Andreas Lubitz para ir preparando a aterragem em Dusseldorf. O copiloto responde «oxalá» e «vamos a ver». Palavras que levam agora a pensar que podia já estar decidido a terminar a viagem da forma que alegadamente o fez.
 
09:29 – Ouve-se Sondenheimer para lubitz: «Podes assumir o comanto». De seguida, ouve-se o ruido de uma porta a fechar. Terá sido nesta altura que o comandante se ausentou para ir à casa de banho.
Os radares registam a primeira descida de altitude.
 
09:32 – Os controladores aéreos já tinham tentado contactar o avião, mas não tinham obtido resposta. Nesta altura, o sistema de gravação regista o sinal de alarme automático por perda de altitude.
Ouve-se então uma forte pancada, como se alguém estivesse a tentar abrir a porta da cabine e a voz do comandante: «Por amor de Deus! Abre a maldita porta!». Por trás, em segundo plano, é possível ouvir os gritos desesperados dos passageiros.
 
09:35 – Ouvem-se «ruídos metálicos fortes contra a porta da cabine». O aparelho encontrava-se então a 7 mil metros de altitude. Terá sido nesta altura que o capitão Sondenheimer terá tentado usar o machado para abrir a porta do cockpit.
Cerca de 90 segundos mais tarde, volta a ouvir-se a voz do piloto a gritar: «Abre a maldita porta!», sempre sem resposta.
 
09:38 – A 4 mil metros de altitude, ouve a respiração do copiloto. Nem uma palavra.
 
09:40 – O avião toca com o lado direito na montanha e voltam a ouvir-se os gritos dos passageiros. Foram os últimos sons registados pela caixa negra do A320.  
 
Andreas Lubitz, de 28 anos, terá deliberadamente jogado o avião que tripulava contra a montanha, arrastando com ele para a morte 149 pessoas. O copiloto da Germanwings teria problemas de depressão e estaria mesmo de baixa,mas escondeu o facto da entidade patronal.

 
 
As autoridades encontraram, no seu apartamento nos arredores de Dusseldorf, um documento médico a impedi-lo de voar rasgado.
 
O jornal «Bild» noticiou, ainda no sábado à noite, que os investigadores encontraram já restos mortais de Andreas Lubitz. Análises de ADN confirmaram já a identidade dos restos mortais. A análise detalhada destes achados pode dar indicações se Lubitz ingeriu ou não medicamentos ou quaisquer outras substâncias nas horas que antecederam o voo. 

De acordo com o jornal alemão «Die Welt» e com o norte-americano «The New York Times», os investigadores alemães encontraram antidepressivos no apartamento de Andreas Lubitz.
 
O «Die Welt» cita uma fonte ligada à investigação para noticiar que Lubitz sofria de problemas psicossomáticos. A polícia apreendeu na casa do copiloto medicamentos prescritos para tratamento desta doença. 

Namorada de Lubitz poderá estar grávida

Andreas Lubitz, copiloto do avião da Germanwings que se despenhou nos Alpes, ia ser pai, avança o jornal alemão Bild.

Segundo o jornal, a professora de inglês e matemática, cuja identidade é desconhecida, terá dado a notícia aos seus alunos nas últimas semanas.

Mais, o mesmo jornal afirmou, no dia a seguir ao acidente, que a relação amorosa de Lubitz enfrentava uma crise, muito próxima da rutura. O copiloto e a namorada, juntos há sete anos, estavam noivos, com casamento marcado para o próximo ano.