Assim que terminou a entrevista de Passos Coelho à RTP, começaram a surgir as primeiras reações da oposição, no Parlamento. O principal partido da oposição classificou-a como «falhada» e a restante oposição destacou o caso da venda da PT, da precariedade e da alegada falta de margem para descer os impostos.

«Uma entrevista falhada, de um primeiro-ministro cansado, sem ideias e sem propostas para o país», afirmou o deputado socialista Vieira da Silva, na Assembleia da República.

Depois, acrescentou: «Falou abundantemente da luta contra a corrupção. O Partido Socialista está profundamente empenhado nessa luta, naturalmente sempre na defesa dos preceitos constitucionais», vincou, aludindo ao Caso Sócrates.

O PCP, por seu turno, destacou a «inaceitável» declaração de Passos Coelho sobre a venda da PT Portugal: «O Estado tem responsabilidades que não pode alienar relativamente a grandes empresas estratégicas nacionais. A posição do primeiro-ministro sobre a PT é inaceitável», criticou António Filipe.

Já João Semedo, do Bloco de Esquerda, quis «desmentir a afirmação de Passos Coelho de que a precariedade está a baixar em Portugal. A precariedade aumentou e muito e adquiriu novas características. Hoje trabalha-se para o Estado sem receber salário: há 56 mil portugueses nessa situação», disse, enfatizando esta última parte.
 
D’Os Verdes, Heloísa Apolónia considerou «absolutamente inacreditável» que o primeiro-ministro tenha referido que não há margem para descer impostos, uma vez que baixou o IRC. Isso, segundo o partido ecologista, mostra que há «favorecimento» dos grandes grupos económicos.