Uma jovem brasileira em morte cerebral, grávida de cerca de dois meses, deu à luz gémeos, na segunda-feira, depois de ser mantida viva por mais 123 dias. O parto teve lugar no Hospital de Nossa Senhora do Rocio, em Campo Largo, Curitiba, no estado do Paraná.

Frankielen da Silva Zampoli, 21 anos, sofreu uma hemorragia cerebral ao segundo mês de gestação. Três dias depois, os médicos declararam a morte cerebral e decidiram também manter a gravidez por mais 17 semanas e meia, para que Azaphi e Ana Vitória nascessem, o que aconteceu. O rapaz com 1,3 quilos e a rapariga com 1,4, nasceram bem de saúde e estão a receber os cuidados próprios de recém-nascidos prematuros de seis meses.

Precisávamos de manter a pressão adequada da mãe, a oxigenação adequada e manter todo o suporte hormonal e nutricional dela", explicou o médico Dalton Rivabem, citado pela Globo, nesta quarta-feira.

Foi uma gravidez acompanhada 24 horas por dia, por médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e outros profissionais de saúde. Diariamente era realizada uma ecografia, mas o principal desafio para a equipa médica era que os gémeos sentissem o afeto que a mãe não podia dar, um desafio que foi partilhado com a família e que passava por acariciar a barriga da jovem e conversar e cantar para os bebés.

Trouxemos canções para as crianças. Canções de crianças, canções improvisadas, canções que nós fizemos exclusivamente para elas. A UTI [Unidade de Cuidados Intensivos] ficou cheia de músicas de amor e afeto", contou a musicoterapeuta Érika Checan.

Para o pai de Azaphi e Ana Vitória, Muriel Padilha, “foi um momento de muita felicidade, dia após dia”. “A minha força vem deles. Da minha esposa, vai ficar a saudade e tudo o que aprendi neste tempo ", descreveu Muriel Padilha.

"Nunca estamos preparados para perder um filho. A dor de perder um filho é muito grande. Para uma mãe, é a pior dor. Ela foi guerreira até depois, conseguiu dar vida aos filhos dela. Vê-los agora, é lindo", acrescentou a mãe da jovem, Ângela Silva.