Maria Barroso, atriz e ativista política que morreu em julho, aos 90 anos, é homenageada em setembro na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, com a exibição de três filmes em que participou.

Na próxima semana, a 03 de setembro, a Cinemateca recupera "Mudar de vida", filme de 1966 de Paulo Rocha, no qual Maria Barroso se estreou no cinema.

No dia 05, passa "Amor de Perdição" (1978) e, no dia 08, "Benilde ou a virgem mãe" (1974), ambos de Manoel de Oliveira.

São três dos mais relevantes filmes da filmografia de Maria Barroso, afirma a Cinemateca na programação.




Maria Barroso estudou artes dramáticas no Conservatório Nacional, na década de 1940, e, enquanto atriz, fez sobretudo teatro, sendo de destacar as interpretações em "A casa de Bernarda Alba", de Federico García Lorca, e "Benilde ou virgem mãe", de José Régio.

A atriz voltaria a esta peça de Régio, trinta anos depois, no filme de Manoel de Oliveira, mas noutro papel.

A Cinemateca, aliás, recorda que Maria Barroso fez com Manoel de Oliveira mais dois filmes: "Lisboa cultural" (1983) e "Le soulier de satin" (1984), mas estes ficam de fora da homenagem de setembro.

Maria Barroso morreu a 07 de julho passado, aos 90 anos. Destacou-se como atriz, declamadora e ativista política e, ao longo de 66 anos, acompanhou a vida do histórico líder socialista e antigo presidente da República, Mário Soares.

Foi uma das fundadoras do PS, na Alemanha, em 1973, e, depois do 25 de Abril de 1974, foi por várias vezes eleita deputada à Assembleia da República.

Presidiu à Cruz Vermelha Portuguesa, até 2003, e foi fundadora e presidente da organização não governamental Pro Dignitate - Fundação de Direitos Humanos.

Nascida na Fuzeta, Olhão, Maria de Jesus Barroso Soares licenciou-se ainda em História e Filosofia, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.