O Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas alerta o primeiro-ministro português para a «realidade dura e inaceitável» do ensino de português no estrangeiro, relatando casos de turmas com excesso de alunos e de docentes sobrecarregados.

O sindicato, membro da Federação Nacional de Educação, dirigiu uma carta aberta a Pedro Passos Coelho, que hoje de manhã assistiu a uma aula do curso integrado de português numa escola básica em Esch-sur-Alzette, no âmbito de uma visita oficial ao Luxemburgo.

Os professores afirmam que este curso «não representa a realidade do ensino do português no estrangeiro, que a cada dia se torna mais dura e mais inaceitável».

Segundo o Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas (SPCL), o primeiro-ministro conheceu o exemplo de um curso do ensino integrado, em que os alunos frequentam as aulas gratuitamente dentro do horário escolar normal e nas instalações das próprias escolas, tendo as turmas entre oito a dez estudantes, «todos do mesmo nível etário e do mesmo nível de escolaridade».

Nos cursos do ensino integrado «reina uma muito aceitável qualidade de ensino» e os alunos, «por razões que nunca foram apresentadas explicitamente», não pagam propinas, consideram os docentes, que sublinham que estes correspondem a “uma parcela mínima” do ensino do português no estrangeiro (EPE).

Diferente é a situação dos cursos do ensino paralelo, em países como o Luxemburgo, Alemanha, Suíça e Reino Unido, onde há «péssimas condições», garantem.

Nestes casos, as condições de ensino são «de caráter medieval ou pós-guerra», com turmas a chegar aos 20 alunos, «de todos os níveis etários e com todos os anos de escolaridade a serem lecionados conjuntamente, em duas ou três horas letivas semanais, fora do horário escolar normal, em salas cedidas por escolas que, muitas vezes, ficam bem distantes da área de residência dos alunos», descreve o sindicato, na carta.

«Estes alunos, para poucas horas semanais de um ensino sem qualidade, pagam uma propina de cem euros anuais», acrescenta o SPCL.

Quanto aos professores, o sindicato afirma estarem «sobrecarregados, cansados das longas deslocações entre escolas e esgotados pela preparação diária de aulas para quatro, cinco ou mais níveis escolares diferentes», além de serem obrigados a tratar das inscrições e pagamentos dos alunos e de se verem forçados a garantir um número mínimo de alunos para não perderem os postos de trabalho.