Estamos a pouco mais de um mês e meio do 15.º dramático aniversário dos atentados às Torres Gémeas. Na altura, a maioria de nós viu aquelas imagens através dos ecrãs das televisões: quem em casa, num café, nos aeroportos ou nas estações de comboios assistiu aos acontecimentos viveu um momento coletivo de quase suspensão do tempo. Agora, estas notícias passam maioritariamente pelos nossos smartphones ou nos ecrãs dos nossos computadores, tornando-se numa experiência muito mais solitária. Foi isso que provavelmente aconteceu também durante esta semana, na qual os eventos ligados ao terrorismo mais uma vez chegaram ao topo do barómetro das notícias, com o ‘índice de insegurança’ a voltar a subir depois da pausa dos jogos europeus.

A insegurança continua nas seguintes notícias do barómetro, com a tentativa de golpe de estado na Turquia e, sobretudo, com a duríssima repressão que se seguiu. A declaração do estado de emergência e a suspensão da convenção europeia dos direitos humanos por parte do Parlamento turco, as prisões sumárias e a ameaça de despedimento em massa nos dizem que também há estados terroristas, e nem sempre estão muito longe de nós.

Insegurança está também dentro do país. E tem, mais uma vez, a ver com a situação das finanças. As sanções europeias a Portugal por ter ultrapassado o défice de 2015 ainda não estão confirmadas e só na próxima segunda-feira, quando o assunto for debatido pela Comissão Europeia, se saberá se a carta enviada pelo primeiro ministro português, assegurando que o ‘país está a cumprir a execução orçamental de 2016’ terá o efeito esperado.

Mais insegurança vem do outro lado do oceano, onde o candidato à Casa Branca, Mister Donald Trump, conforme o seu estilo, abriu a campanha eleitoral com discursos apocalípticos que estão anos luz daquele ‘Yes we can’ de Obama em 2008, que nos fez, na altura, voltar a ter esperança. E parecemos, de repente, ter voltado a 2001, e nada ter aprendido entretanto.

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.