Foi um "lapso", do mesmo valor, com a mesma data, mas para credores diferentes. O presidente do PSD, e líder da coligação Portugal à Frente, tinha anunciado ao almoço, esta segunda-feira, em Beja, que Portugal ia antecipar o pagamento de 5,4 mil milhões de euros ao FMI.

Afinal, não era. E Passos, garante, quando tem "lapsos", corrige: "Sem nenhum problema. Vou fazer a correção". E a correção arrancou mais aplausos do que o anúncio errado do almoço. Esta noite, na Escola de Hotelaria de Faro, o também primeiro-ministro anunciou que a 15 de outubro, o Tesouro português vai pagar obrigações "contraídas há 10 anos pelo Governo socialista", e que "nós  agora vamos amortizar à dívida pública portuguesa a 15 de outubro".

E já agora, porque o FMI foi chamado à baila de manhã, Passos aproveita: "Foram já mais de oito mil milhões de euros de pagamentos antecipados" desde o início do ano, disse; e já agora, recorda, o valor do empréstimo da troika não foram os 78 mil milhões de euros que inicialmente Portugal tinha pedido, porque o Governo prescindiu da última tranche.
 
No comício que juntou militantes do PSD e CDS, num pátio da escola, o primeiro-ministro deu novo mote aos discursos que habitualmente tem feito. E explicou que as eleições de dia 4 de outubro são mais do que umas legislativas: são uma escolha para cumprir um desígnio. E o desígnio, esclarece, é a "missão da geração da democracia portuguesa": por fim ao "ciclo vicioso" de sucessivos resgates externos.

"Essa é missão da nossa geração: libertar o futuro dos portugueses, libertar o país desse ónus e dizer ao mundo que sabemos o que queremos, que sabemos governar, e não andar a cada dez anos a pedir ajuda externa. Essa é a missão histórica da geração que nasceu com Abril e não quer apenas a liberdade para escolher os governos, mas quer ser efetivamente livre", disse.

Por isso, nas próximas eleições de 4 de outubro, "não precisamos de acordar com um país à mercê da vaidade e do capricho político do "ou me deixam governar ou não deixo governar ninguém", numa critica a António Costa que já anunciou que não viabilizar orçamentos da coligação, caso o PAF ganhe as legislativas.

No segundo dia de campanha, a passagem pelo Algarve foi breve: de tarde, uma visita a uma exploração de framboesas em Tavira e um jantar-comício em Faro, e volta a subir no mapa. Amanhã, estará no Barreiro e em Setúbal.