A banca europeia enfrenta vários desafios mas só um trabalho comum a muitos níveis poderá resultar, disse Wim Mijs, presidente executivo da Federação Bancária Europeia na conferência "O presente e o futuro do sector bancário", organizada pela Associação Portuguesa de Bancos e pela TVI, que decorre hoje no hotel Ritz, em Lisboa. Reinventar, digitalizar e confiança são palavras de ordem.

"Por vezes a União Europeia é acusada de ser lenta mas há ajustamentos a serem feitos. Se olharem para a União Bancária vêm que a União Europeia está a responder, cada vez melhor", refere o responsável.

Para Wim Mijs, a União Bancária "é livro com quatro capítulos". O trabalho está a ser feito mas "as entidades têm que dar ouvidos aos nossos pedidos como, por exemplo o facto de existir diferenças de qualidade entre as equipas de supervisão. Isso tem que ser resolvido", apela.

Os instrumentos, em fase de implementação, e outros que possam ser pensados são fundamentais para dar conforto aos mercados financeiros. 

"Tem que haver instrumentos necessários para tranquilizar os mercados financeiros", reforça Mijs. Olhar para a Resolução e a para rentabilidade dos bancos é importante mas há mais.

"Do lado do financiamento temos que nos aproximar mais. Tem que haver um sistema de insolvência único. Muitas vezes, os eurodeputados riem–se desta perspetiva porque dizem que não funciona mas temos que unificar esta lei de falências. Quanto mais rápido o fizermos melhor tudo correrá", acrescenta do líder da federação.

Olhar para o digital como oportunidade

Maior deixou de ser sinónimo de melhor e o digital tem que ser olhado com mais convição.

"Se olharmos para o digital, por exemplo, o futuro da banca pode dar-se em instituições mais pequenas e mais ágeis", diz o chief executive.

"Devemos passar da defesa para a oportunidade. Temos que estar prontos para responder ao que o cliente pretende. Tem que se unificar o sistema", assegura o responsável. Que dá como exemplo as diferenças que existem na abertura de uma conta nos vários países e o tema da proteção de dados, cujos desafios aumentaram com a "nuvem".

Acrescem os temas do financiamento e da reputação. Para Wim Mijs, "a Europa é muito financiada por bancos e tem que encontrar novas formas de financiamento porque caso contrário vai ficar muito vulnerável".

Por outro lado, "dizemos que compete aos bancos dizer qual o seu papel na sociedade e que podem fazer mais a nível europeu. As pessoas precisam de ser educadas financeiramente para tomarem as decisões certas. Porque as crianças ficam facilmente endividadas, com as suas contas de telemóvel e com as suas roupas. E chega-se aos 65 anos sem dinheiro para a reforma", chama à atenção o líder da federação de bancos.

Coragem política pode ser decisiva

Como holandês, Wim Mijs, não resistiu a fazer uma comparação entre a banca e a construção do sistema de diques na Holanda que levou 35 anos mas que hoje permite que o país esteja preparado para quaisquer tempestades ou inundações

"A banca vai melhorar e vai continuar a ser boa", disse.

Mas a coragem política será fundamental nesta retoma. "No caso do sistema bancário precisamos de mais coragem política porque existem muitas questões louváveis na supervisão bancária mas continuamos com a reforma estrutural dos bancos, que tem uma legislação morta", refere o chief executive.

"Há grupos de pressão que não querem tirar a reforma estrutural da banca da agenda. Se querem ajudar retirem isso da agenda", reforçou.