"A União Bancária é um marco importante para o projecto europeu e a melhor forma de resolver os desafios que se colocam". As palavras são de Elke Konig, presidente do Conselho Único de Resolução, que participou na conferência organizada pelo Associação Portuguesa de Bancos e pela TVI que decorrer hoje no hotel Ritz, em Lisboa.

"A situação [atual] remete para dependência entre bancos e tivemos diferentes resoluções nacionais e isto levou a uma grande fragmentação do mercado e dos serviços financeiros", é este o retrato feito pela responsável.

Como consequência, "problemas no crédito às empresas, uma crise de confiança e perturbações no sistema bancário", acrescenta.

Sobre Portugal, Elke Konig não tem dúvidas que estas perturbações afetaram o país mas o papel do setor bancário e do Conselho Único de Resolução são fundamentais.

Bancos mais estáveis que em 2016

"Não podemos esquecer que temos um longo caminho. Já não estamos em 2008. Os bancos estão agora mais estáveis. Há mais capital e melhor qualidade de capital mas há coisas a fazer", assegura a presidente.

Em 2016, o Conselho Único de Resolução assumiu responsabilidade pelas instituições mais significativas pelo que agora "trabalhamos com uma série de bancos cujos problemas teremos que enfrentar e resolver", frisa Elke Konig,

E vais mais longe, ao afirmar que "na banca resolução significa algo diferente. Não é ressureição nem é o fim do mundo. É um processo muito controlado, juntamente com as autoridades nacionais".

Um trabalho que passa também por garantir uma aplicação consistente das disposições do Conselho Único de Resolução.

Além disse, a responsável quer que o Mecanismo de Resolução e o Conselho Único de Resolução levem a cabo o que se propuseram para que "possamos ter um plano eficaz e capacidade de resposta a qualquer situação", já em 2016.

"Se tivermos um  bom plano de resolução ou um plano B,  então estaremos numa posição melhor para resolver quaisquer questões na altura certa e ficaremos com opções para resolver os problemas. E não ficaremos confrontados com um desastre pronto a acontecer. Estamos a trabalhar para garantir estabilidade financeira, levando a cabo avaliações para sabermos, se algo correr mal, quais as opções", assegura a presidente do Conselho Ùnico de Resolução perante uma plateia cheia de banqueiros.

Os planos de resolução vão ser cruciais para "definir os requsiitos de capital" e isto deve acontecer, "no máximo, até final deste ano" mas vai ser um caminho longo – não vamos implementar tudo de uma vez – a capacidade de absorção de perdas é crucial", garante Elke Konig.

Risco elevado em Portugal

Na conferência intitulada, "O presente e o futuro do sector bancário", Elke Konig, que falou depois do Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, deixa um alerta ao país: "a parada está muito alta para algumas instituições e para tornar tudo mais claro existe a Resolução (palavra bonita). Se um banco tiver problemas a solução privada deve ser sempre a primeira opção".

"Se não for possível, ou viável, então o banco será considerado insolvente, de acordo com a nacional. Ou se tiver implicações para a estabilidade financeira ou instituições criticas, então o regime de resolução é opção" diz a presidente da instituição europeia.

Além disso, em caso de incumprimento, também tem que ser avaliado qual o papel da instituição na sociedade de no país, antes de ser tomada qualquer decisão.

No final da sua intervenção Elke Konig, reservou ainda algum tempo para assegurar que está a ser preparada uma lei de insolvências e um sistema de garantias de depósito para que a União Bancária funcione bem. Sendo que não deve haver nenhuma diferença nas medidas de proteção dos depositantes, entre os vários países.

Medidas que só poderão fazer sentido com base na "cooperação com as autoridades nacionais e só com elas poderemos ser bem sucedidos. Há várias instituições nacionais. Não podemos fazer tudo a partir de Bruxelas e conjuntamente podemos  estabelecer este pilar e assegurar maior equilíbrio para proteger os interesses dos cidadãos da zona euro", afirmou.

"Olho com confiança para o futuro. Reconheço que há uma forma de passar de A a B mas não devemos pôr em questão ritmo normal da economia", conclui a presidente da instituição