A ministra do Mar foi confrontada, esta sexta-feira de manhã, em Olhão, com um protesto de quase uma centena de manifestantes contra a demolição de habitações na Ria Formosa, a quem garantiu que “será encontrada uma solução de equilíbrio para todos”.

“Ainda há pouco falei ao telefone com o ministro do Ambiente que me garantiu que está a tratar deste assunto com toda a atenção (…) e depois falará convosco e tenho a certeza absoluta que será encontrada uma solução de equilíbrio para todos”, disse Ana Paula Vitorino numa curta conversa com os manifestantes.

O movimento SOS Ria Formosa opõe-se à demolição de casas nas ilhas-barreira do Algarve e exige uma clarificação do Governo socialista sobre a matéria.

”Visto que prometeram nas últimas eleições que iam parar definitivamente as demolições, estamos à espera que coloquem isso por escrito, agora que estão no Governo”, disse à Lusa Vanessa Morgada, uma das responsáveis do movimento.

Para o SOS Ria Formosa, "não são as casas que provocam a poluição na ria”, existindo outros problemas por resolver, como a saída de esgotos ou o assoreamento das barras.

Vários núcleos habitacionais das ilhas da ria, situada entre os concelhos de Tavira e Loulé - como Farol, Culatra ou Hangares - já foram alvo de demolições de habitações ordenadas pelo Ministério do Ambiente no âmbito de um projeto de renaturalização conduzido dentro da reserva natural existente.

“As preocupações deles são as minhas”, disse à Lusa o presidente da Câmara de Olhão, o socialista António Pina, acrescentando acreditar que “o primeiro-ministro terá bom senso”.

O Ministério do Ambiente anunciou na quarta-feira que vai requalificar o Núcleo da Culatra, uma das ilhas-barreira na Ria Formosa, e clarificar a situação jurídica das mais de 300 construções existentes para primeira habitação e para apoio à pesca.

A recuperação do núcleo piscatório da Culatra vai "contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos seus residentes, ao mesmo tempo que será clarificada a situação jurídica da ocupação atualmente existente - estão em causa mais de 300 construções", refere uma informação enviada à agência Lusa.

Assim, será atribuído um título de utilização do domínio hídrico a cada uma das construções destinadas a primeira habitação e à guarda de aprestos de pesca ou maricultura e equipamentos de utilização coletiva, explica o Ministério liderado por João Matos Fernandes.

A ministra do Mar dedicou o dia desta sexta-feira a visitas a uma série de empresas e projetos inovadores da “Economia do Mar” no Algarve.

Ana Paula Vitorino visitou em Olhão a Sparos, empresa ‘spinoff’ de rações para aquacultura, a Sun Concept, empresa que produziu um protótipo de embarcação a energia solar, a Conserveira do Sul, empresa de conservas e patés de peixe, com uma grande aposta na exportação, e em Vila Real de Santo António a Nautiber, empresa de construção de barcos de recreio e de pesca.