Um estudo da Universidade de Leipzig publicado esta quarta-feira revela que a islamofobia na Alemanha está a subir, após mais de um milhão de refugiados, maioritariamente muçulmanos, terem chegado ao país. 

Consideradas as respostas num universo de 2.420 pessoas, metade dos inquiridos respondeu que, frequentemente, sente-se um estrangeiro no próprio país devido à presença de muçulmanos. Em 2014, 43% respondeu da mesma forma e, em 2009, a parcela fixava-se nos 30%.

O número de alemães que acredita que os muçulmanos deviam ser proibidos de entrar no país também subiu para 40%, comparativamente aos 20% verificados no ano de 2009. Por outro lado, 80% dos entrevistados julgam que o país não deveria ser "tão generoso" quando examina pedidos de asilo.

De momento, existem cerca de quatro milhões de muçulmanos na Alemanha, que representam 5% da população total. Muitos daqueles que pertencem à comunidade já estabelecida são imigrantes turcos que se instalaram no país à procura de trabalho, durante as décadas de 1960 ou 1970. Devido ao recente fluxo migratório na Europa, mais de um milhão de refugiados entraram em solo alemão, fugindo sobretudo de conflitos na Síria, Iraque ou Afeganistão.

O estudo conduzido por investigadores da Universidade de Leipzig, é publicado num contexto em que aumenta o apoio ao partido de extrema-direita, Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla alemã).

A favor da proibição da burca e descrevendo o Islão como sendo "incompatível" com a constituição alemã, esta formação partidária, criada em 2013, foi uma das surpresas nas últimas eleições regionais, em março último, ao conquistar lugares nos parlamentos de três estados.

Os ataques contra centros de acolhimento de refugiados e até contra migrantes também têm sido mais frequentes, tendo sido registadas cerca de 1000 ocorrências desde o início do ano, segundo revelou Thomas de Maizière, Ministro do Interior alemão. Muitos dos suspeitos nestes incidentes estão referenciados pela polícia e são de extrema-direita.

Ainda nesta segunda-feira, o Presidente da Alemanha, Joachim Gauck, alertou para os perigos de "demonizar muçulmanos" e para a polarização étnica e religiosa na sociedade.