Manuela Ferreira Leite não poupou críticas, no comentário desta quinta-feira, na TVI24, ao novo imposto para quem tem património imobiliário superior a 500.000 euros.

“Não venham com discursos moralistas para justificar algo que, do meu ponto de vista, é praticamente imoral” disse, em síntese a ex-ministra das Finanças sobre a tributação “estranhamente” anunciada por uma deputada.

Mariana Mortágua, “anunciou estranhamente, porque sendo um ponto essencial do Orçamento, que é a criação de um imposto e uma receita necessária para colmatar a falha na receita, que não seja o ministro das Finanças ou o Primeiro-M­­­­inistro a fazer esse anúncio”, sublinhou, para a seguir acrescentar que “é uma obsessão do BE o património. Tudo o que não mexe deve ser tributado”.

“Desagrada-me profundamente que se diga que o lançamento do imposto é para fazer justiça social”, insistiu Ferreira Leite durante o comentário.

Mesmo sem conhecer com detalhe o projeto do novo imposto, Manuela Ferreira Leite, considerou que esta nova taxa “é má para a economia” e para as famílias.

“É estar a esquecer qual é a nossa realidade. A nossa realidade é que praticamente toda a gente tem património imobiliário”, sendo que há quem tenha “algumas propriedades ou pode ter muitas propriedades, mas não tem rendimento para pagar os encargos”. Encargos com o património que tendem a crescer, com as novas regras do IMI, que conta “desde a vista ao sol” e a nova avaliação feita pelas autarquias, relembrou. 

Por esclarecer está se esta nova tributação abrange a habitação familiar. “Se abranger, então é que apanha toda a gente”.

A comentadora também gostaria de saber qual é a estimativa da receita. Se for reduzida, limitou-se a dizer que “tem pouca paciência para problemas ideológicos”. Se a receita esperada for forte, nesse caso, vai atacar a classe média, porque a “classe média que é a grande maioria dos que pagam impostos”, fazendo deste imposto “uma enorme injustiça social” na sua opinião.

Manuela Ferreira Leite referiu ainda as consequências negativas, no seu entender, para a economia, num país que precisa de crescer. O “setor imobiliário é dos poucos a levantar a cabeça”.