Depois da fuga de Joaquín “El Chapo” Guzmán, um dos maiores narcotraficantes do México e cabecilha do cartel de Sinaloa, as autoridades divulgaram o vídeo do momento da fuga. Esta quinta-feira foi divulgado o áudio do mesmo momento e dos que se sucederam.

A fuga da prisão de alta segurança Altiplano, no México, que aconteceu a 11 de julho, começou pouco antes das 21:00. “El Chapo” via televisão quando de repente se ouve um ruído de construção que interrompe o programa.

No entanto, apesar da clareza do som, nenhum dos elementos da Polícia Federal, que no momento vigiavam o Centro de Monitorização, se alertaram.

Segundo o jornal Primero Noticias, que divulgou o vídeo em exclusivo, o som é de um martelo e pode ouvir-se pelo menos quatro vezes ao longo de cinco minutos. Apesar do barulho ininterrupto vindo da cela 20, os guardas continuam indiferentes. 

Às 20:51, o narcotraficante aproxima-se do duche e ouve-se um barulho como se caísse terra e uma placa tivesse sido movido. Ouve-se então uma voz vinda da parede e pouco depois, às 20:52:14, “El Chapo” entra no túnel, sem que nenhum dos guardas dê por isso.

Apenas às 21:17, os elementos da Polícia Federal observam as câmaras de vigilância, mas sem se alarmarem para o que tinha acabado de acontecer. Enquanto “El Chapo” terá demorado cerca de 15 minutos para percorrer o túnel e escapar, a polícia levou mais de 25 minutos para detetar a sua fuga.

O chefe da ala de Monitorização, Vicente Flores Hernández envia, às 21:18, dois dos vigilantes à cela. Gritam pelo apelido de Guzmán e, depois de não obterem resposta, revistam a cela a partir do lado de fora. Alarmados, comunicam a descoberta por rádio ao comandante. 
 

- Comandante ouve-me? 
- Que aconteceu?
- Há um buraco no chuveiro.
- Que aconteceu?
- Há um buraco no chuveiro, comandante, um buraco no chuveiro.
- Há um buraco?
- Afirmativo, afirmativo, há um buraco no ralo do chuveiro-
- De que tamanho?
- Grande comandante, grande…
- Ouve. O preso não está aí?
- Não comandante, não está.




Os guardas saem da cela, e apenas às 21:29, quase 40 minutos depois da fuga, entram na cela para apurar o que aconteceu. Um supervisor e um dos seguranças entram no buraco enquanto os restantes detidos, que pensam que “El Chapo” tinha tido um enfarte e que não lhe tinha sido dada assistência médica, gritam e batem nas barras das celas.

Às 21:31 nova comunicação via rádio.

“Chefe há um túnel e parece que está tapado no outro extremo. Não o do duche, mas desceram e está tapado em baixo”.


De imediato, ouvem-se que várias batidas, feitas por elementos de segurança, para tentar retirar a trave deixada por “El Chapo” e os seus cúmplices para travar quem os seguisse. 

O buraco encontrado no duche ligava a um grande túnel com ventilação e a saída era num edifício que estava em construção. O túnel estendia-se por 1,5 km, tinha 1,70 metros de altura e uma largura entre 70 e 80 centímetros.  

Ao longo do túnel - ventilado e com iluminação - foram encontrados "instrumentos de construção, tanques de oxigénio, recipientes com combustível", madeiras e tubos. Os guardas encontraram ainda uma motorizada.

O código vermelho para a fuga de “El Chapo” foi ativado apenas três horas depois.
 

Treze funcionários detidos


Treze funcionários da prisão acabaram por ser detidos por alegada implicação na fuga de "El Chapo". Entre os detidos está a antiga chefe do sistema prisional mexicano, Celina Oseguera Parra, e o ex-diretor da prisão, Valentín Cárdenas Lerma. Os dois acusados foram despedidos dois dias depois da fuga de “El Chapo”. 

Embora já houvesse quase uma dezena de funcionários detidos por alegada implicação neste caso, estes serão, até à data, os quadros de mais alto nível alegadamente implicados na fuga do narcotraficante mais procurado do mundo. 

Joaquín Guzmán continua a ser procurado pelas autoridades, que ofereceram uma recompensa de 3.5 milhões de euros a quem conseguir encontrar o narcotraficante.