Um mar de gente recebeu o presidente turco à saída o aeroporto Ataturk, em Istambul, cerca das 2:00 de sábado em Lisboa. Erdogan voltou a falar, após uma comunicação pela televisão durante as horas de crise, e condenou a intentona.

Foi um acto de traição", disse o presidente turco, acrescentando que os responsáveis serão responsabilizados e "pagarão um alto preço".

O regresso do presidente, a salvo em parte incerta durante cerca de cinco horas de tensão e confrontos em Ancara e Istambul, é um sinal de que o golpe militar terá fracassado, apesar de haver ainda relato de tiroteios e explosões.

Largamente sob controlo" foi a expressão usada pelo primeiro-ministro Binali Yildirim, para tentar resumir a situação ocorrida no país, ao cabo de várias horas de incerteza sobre quem, de facto, detinha o poder.

Ao longo das horas de conflito, com militares revoltosos nas ruas, trocas de tiros, combates entre meios aéreos e explosões, Erdogan fez uma comunicação ao país, convocando a população para sair às ruas opondo-se aos golpistas.

Num balanço cerca das 3:00 da manhã de sábado, hora de Lisboa, o primeiro-ministro turco em garantiu haver já cerca de 120 detidos, entre as forças revoltosas.

Horas a ferro e fogo

Já em Istambul, Erdogan acusou os revoltosos de terem bombardeado o hotel onde esteve durante as horas de crise, localizado na costa do mar Egeu. Terá sido alvejado, já depois do presidente ter saído de lá.

Antes, durante a noite quente na Turquia, os relatos dão conta que caças F16 abateram um helicóptero dos militares revoltosos que saíram às ruas da capital Ancara e também da maior cidade, Istambul. Aí, há relatos de tiroteios nas pontes sobre o Bósforo, que estiveram encerradas desde o início da noite. Militares terão disparado sobre manifestantes, havendo um número não calculado de feridos. Segundo informações disponibilizadas, foram vistos os corpos de cinco civis mortos.

Já na sede da polícia, em Ancara, 17 oficiais terão sido mortos durante um ataque de um helicóptero das forças revoltosas, segundo o relato da agência de informação estatal, Anadolu.

A mesma agência estatal relata também que quatro militares revoltosos, incluindo uma alta patente, terão sido detidos após terem tomado de assalto a televisão pública.

Nos últimos momentos da noite de sexta-feira, duas grandes explosões foram ouvidas. Tanques de guerra cercaram o parlamento e dispararam. Também a sede dos serviços de informação terá sido alvo das forças rebeldes, que terão do seu lado também alguns helicópteros.

Informações ao longo da noite deram conta que o chefe máximo das forças armadas turcas teria sido feito refém dos revoltosos.

Já o chefe máximo das forças especiais do exército turco, general Zekai Aksakalli, disse na estação de televisão NTV, que os militares estavam com o governo e que a revolta seria travada com brevidade. 

A meio das horas mais críticas, o presidente turco Erdogan chegou a apelar à população para que saísse às ruas, travando os militares revoltosos, apenas uma fação, na ótica do governo.

Na televisão estatal NTV, ao que tudo indica controlada pelos militares revoltosos, um porta-voz anunciou que o país passaria a ser governado por um "conselho de paz", que uma nova constituição seria aprovada, acusando o atual executivo de ter corroído as leis democráticas e seculares no país.

A televisão turca NTV mostrou durante a noite de sexta-feira, imagens de carros blindados junto à entrada do aeroporto Ataturk, em Istambul. 

As agências de informação adiantaram que o presidente turco Erdogan esteve sempre a salvo. Já o responsável máximo pelas Forças Armadas terá sido detido e feito refém pelos militares revoltosos.

Antes, o edifício da televisão estatal foi tomado pelos revoltosos, que divulgaram um comunicado proclamando a lei marcial e o recolher obrigatório em todo o país.

Não vamos permitir que se degrade a ordem pública na Turquia. Um recolher obrigatório é imposto no país até nova ordem”, especifica o comunicado, assinado pelo “Conselho da paz do país”, que diz que tomou o poder.

Intentona levada a cabo por fação militar

O primeiro-ministro turco veio entretanto afirmar que nada irá abalar a democracia na Turquia.

Yildirim considerou tratar-se de uma intentona, uma ação militar contra o governo, desobedecendo à hierarquia de comando.

Binali Yildirim garantiu desde logo que as forças de segurança tudo estavam a fazer para lidar com a situação e que os responsáveis pagariam um preço elevado pela ação.

Ainda assim, o primeiro-ministro secundou o presidente Erdogan apelando também à população que saísse às ruas para combater a tentativa de golpe.

Também em Istambul, a maior cidade turca, recentemente alvo de um atentado, houve relatos de helicópteros e aviões a sobrevoar a cidade, desde o início da noite. De acordo com a estação de televisão NTV, as pontes sobre o Bósforo, que separa o teritório europeu e asiático foram encerradas e assim se mantiveram ao longo da noite.

Governo acusa  imã Gullen

Com o passar das horas, a tentativa de golpe na Turquia foi sendo condenada por vários países, com um misto de apreensão pela situação em curso e pela indefinição então existente.

Da parte do ministro turco da Justiça, saiu a cusação de que os revoltosos serão partidários do imã Gullen, um escritor e líder religioso, opositor político do regime de Ancara, que se refugiou nos Estados Unidos. Mais tarde, também o primeiro-ministro e o presidenete reforçaram a ideia.

A acompanhar a confusa situação em Ancara, os partidários do imã Gullen apressaram-se a condenar qualquer intervenção militar externa que tente intervir nos assuntos internos da Turquia.