A Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) afirmou esta segunda-feira estar a realizar, até ao final do mês, um levantamento das instituições disponíveis para acolher migrantes e que também se comprometam a apoiar o acesso a saúde, educação e trabalho.

“Até ao final do mês de setembro, estamos a desenvolver um levantamento das instituições anfitriãs que assumem o compromisso de acolhimento e integração de uma família de refugiados”, disse Rui Marques, diretor da PAR.


Este levantamento enquadra-se no modelo de acolhimento e de integração dos refugiados proposto pela plataforma, intitulado PAR-Famílias, que visa “encontrar um par entre uma instituição anfitriã e uma família de refugiados”, adiantou o responsável, que falava na cerimónia de cedência da Câmara de Lisboa à PAR de um espaço não habitacional no Bairro do Rego.

O objetivo é criar condições no terreno para alojamento, alimentação, acesso à saúde e educação e trabalho tendo como base de apoio uma autarquia ou uma instituição. No segundo ano de permanência em Portugal, o apoio deverá ser reduzido.

“É um acolhimento de base comunitária no qual as autarquias poderão ter um papel importante no apoio que dão às instituições anfitriãs”, argumentou Rui Marques, referindo que a prioridade da plataforma “são as crianças e as suas famílias”.

Dezenas de municípios portugueses manifestaram já vontade de receberem refugiados, maioritariamente originários da Síria, em coordenação com entidades locais e nacionais, como o Conselho Português para os Refugiados (CPR) ou a Cruz Vermelha.

Em Lisboa, foi criado um fundo de dois milhões de euros, gerido em articulação com instituições como a Santa Casa da Misericórdia, o CPR e a Cruz Vermelha, para apoiar os migrantes que venham para a cidade com alojamentos temporários, alimentação, cuidados de saúde e de educação.

Acresce que, segundo o presidente da autarquia lisboeta, Fernando Medina, “vários munícipes” se disponibilizaram para acolher refugiados em suas casas.

Na ocasião, Rui Marques defendeu ainda que os cerca de cinco mil refugiados que Portugal deverá receber fiquem dispersos pelo país.

“Creio que há um grande consenso entre todas as instituições da PAR que o modelo de acolhimento e de integração de base comunitária disperso pelo país é o mais eficaz face a modelos concentrados num grande centro de acolhimento de refugiados."


O responsável acrescentou que concentrar os refugiados apenas num local não é “a solução ideal”, podendo ser apenas uma medida “transitória, por poucos dias, enquanto se faz a distribuição”.

A Europa enfrenta a mais grave crise migratória desde a segunda guerra mundial, com mais de 430 mil pessoas a terem entrado no continente este ano, a maioria das quais procurando refúgio da guerra e repressão em países como a Síria.